O desafio de Marco Antônio Eberlin, o novo presidente da Ponte Preta: provar que o passado pode servir para buscar o triunfo no futuro

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Em 2006, o Brasil estava na sua quarta edição de Campeonato Brasileiro por pontos corridos. O técnico da Seleção Brasileira era Carlos Alberto Parreira. O time da moda era o São Paulo, recentemente campeão do mundo e que iniciaria a sua saga para conquistar três títulos brasileiros. O Internacional de Porto Alegre tinha conquistado a Copa Libertadores e em dezembro desbancaria o Barcelona no Japão.

Eram tempos que permitiam que um Santo André faturasse a Copa do Brasil em 2004 e o Paulista em 2005.

Era um outro Brasil. Um outro futebol. E neste contexto Marco Antônio Eberlin reinava na Ponte Preta. Em um dado momento como diretor de futebol e em outro como vice-presidente. Em meados de 2006, Eberlin saiu da diretoria que era então comandada por Sérgio Carnielli.

Teve uma breve passagem pelo Bragantino e o seu legado é alvo de controvérsia até os dias atuais. Sofreu perseguição política dentro da Ponte Preta e contou com a Justiça para o restabelecimento dos seus direitos políticos.

Durante todo esse tempo algo chamou atenção: em parte da torcida pontepretano existia um sentimento de refrigério ao lembrar da época de Eberlin. Em parte por culpa daqueles que lhe sucederam, especialmente aqueles que estavam no comando do futebol. Quanto mais se acumulavam as derrotas no gramado, mais crescia a memoria afetiva do torcedor.

Hoje, em reunião do Conselho Deliberativo, Eberlin foi eleito presidente com 148 votos contra 12. Terá um desafio gigante pela frente: sanear as contas do clube, pacificar o ambiente interno, montar times competitivos, modernizar a infra estrutura e resgatar a relevância da Macaca no cenário nacional. Tudo isso em quatro anos.

De quebra, Marco Antonio Eberlin terá que provar que o dirigente outrora antenado em 2006 está conectado com o ano de 2021, 2022, 2023…

Se der errado, não será apenas a sua gestão que irá por água abaixo. Será destruído um legado construído e acalentado por torcedores pontepretanos de todas as idades nos últimos 15 anos. Agora, se conseguir a adaptação a esse novo futebol só o imponderável vai evitar o seu êxito. Afinal, um atributo ele tem em relação aos presidentes que lhe antecederam: conhece futebol.

Boleiro, administrador, diretor de futebol, gestor e lider de uma diretoria executiva já pronta para uma missão dura e hercúlea. Todo o pontepretano deve dizer agora: Boa sorte Eberlin. E tem razão em dizer. Porque vai precisar. Muito.

(Elias Aredes Junior com foto de Diego Almeida-Pontepress)