O mundo do futebol fecha os olhos para o machismo e para a violência contra a mulher. Até quando?

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Comentaristas e jornalistas esportivos estão cheio de dedos para falar sobre o caso que envolve Dudu e sua ex-esposa. Ninguém está aqui para fazer pré-julgamentos. A escola Base já deu lições mais do que suficientes. Evidente que as conclusões do inquérito devem ser aguardadas. É assim que se procede em países civilizados.

Só que essa precaução não pode servir de álibi para se deixar de tocar em uma ferida, que é a violência doméstica contra a mulher e o papel subalterno exercido pelas mulheres no mundo do futebol. Machismo puro.

Não sejamos hipócritas: o jornalismo esportivo é machista. E avaliza tal comportamento na sociedade. Temos peito para pedir mais contratações, melhoria da produtividade do técnico e somos incapazes de reivindicar que as mulheres ocupem postos de comando. Não há vontade nenhuma de criar um sistema articulado para a formação de treinadoras, presidentas e até técnicas de futebol. Nada vezes nada. Comentaristas e narradoras precisam provar diariamente o seu valor. Enquanto isso, muito homem incompetente recebe tapete vermelho.

Pior: no futebol o delito  contra a mulher é premiado. Querem uma prova? O goleiro Jean confessou ter agredido a esposa. De imediato, o Atlético-GO lhe contratou. O ex-goleiro do Flamengo (não direi o nome em respeito as leitoras) foi condenado por assassinato de Eliza Samúdio e dia sim, dia não, clubes lhe procuram para contar com seus serviços.

Poderia citar outros casos, mas uma conclusão é inequívoca: a repugnante desvalorização da mulher no mundo do futebol é tamanha que seus agressores são absolvidos.

Independentemente do que aconteça com Dudu, seja culpado ou inocente, o mundo da bola e o jornalismo esportivo não tem o direito de colocar a cabeça no buraco como avestruz. A violência doméstica contra a mulher é algo real e presente. Assim como o machismo que destroça as ambições femininas de ocupar um espaço que é de direito delas.

Nós, homens, não fazemos nenhum favor. Temos é que pedir desculpas todos os dias por transformar a vida de milhares de mulheres em uma luta inglória. E de proibir que elas tem acesso a modalidade mais popular do planeta.

(Elias Aredes Junior)

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