Análise: Guarani, (provável) chegada de Junior Rocha e a decisão de exercer o papel de coadjuvante na Série B

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Junior Rocha deverá ser anunciado nesta quinta como novo técnico do Guarani. Está vitaminado pela boa campanha com a Internacional de Limeira, que mostrou um futebol propositivo no Paulistão. A sua contratação juntamente com a de Toninho Cecílio mostra apenas um aspecto irrefutável: o Guarani, por enquanto, abriu mão de qualquer tipo de ambição de acesso.

Pode subir? Evidente. Futebol é imprevisível para qualquer lado. O perfil do treinador, no entanto, evidencia que quando chegar aos 45 pontos, a missão estará mais do que cumprida. Pelo menos para os dirigentes. Repito: podemos ser surpreendidos. Afinal de contas, Thiago Carpini não tinha tarimba de Série B e subiu com o Juventude. 

Por enquanto, o histórico exibe direção contrária. Junior Rocha disputou três edições seguidas de Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2015, terminou na décima posição com 54 pontos e 11 pontos atrás do América-MG, que foi o quarto colocado. No ano seguinte, Junior Rocha levou a equipe do Mato Grosso aos 55 pontos e ficou oito pontos atrás do Bahia, que ficou com a última vaga do acesso. Em 2017, Junior Rocha era o treinador do Luverdense, que empatou sem gols com o Guarani na penúltima rodada e esse resultado assegurou a permanência bugrina e decretou a queda de sua equipe à terceira divisão com 44 pontos e com uma vitória a menos que o Alviverde (11 a 10).

Ou seja, percebam por esse histórico que Junior Rocha sempre trabalhou com o foco de permanência. Evidente que na primeira rodada o acesso era um sonho, mas se ficasse na divisão estaria de bom tamanho.

Em 2022, o técnico foi contratado para treinar o Figueirense. O objetivo era único: acesso na Série C. Disputou toda a temporada e o saldo foi de 21 vitórias,19 empates e 15 derrotas. O aproveitamento ficou em 49,6%. Na primeira fase da Série C, teve um bom rendimento e terminou na terceira colocação e com 33 pontos. A decepção veio no quadrangular decisivo quando somou sete pontos e ficou atrás do Vitória -BA, com nove pontos e do ABC, que somou 12 pontos. Em duas passagens na Internacional de Limeira, em 30 partidas nos anos de 2023 e 2024, o técnico somou 12 vitórias.

Vamos direto ao ponto: nós devemos exigir do profissional aquilo que pode dar. E pelo histórico profissional percebe-se que Junior Rocha é sério, trabalhador, dedicado, busca alternativas mas ainda não é um técnico de segunda ou primeira prateleira. É um profissional para buscar a permanência. E só. O que vier além disso é lucro.

A torcida certamente ficará contrariada, mas essa é a realidade do Guarani. O Conselho de Administração decidiu que o clube não será mais protagonista. No máximo, um coadjuvante. Triste, mas é o que eles querem. Paciência.

(Elias Aredes Junior-Com foto de Jonhy Inácio-Agência Paulistão)