Ponte Preta decepcionou. Brigatti errou. Feio. Merece ser criticado. Muito. Mas o futebol não é um ato solitário

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Muitas vezes o futebol fabrica conquistas em locais em que não há expectativa. Quem apostava em Fábio Carille em vencedor do Brasileirão de 2017 em janeiro do mesmo ano? Quando Sérgio Guedes assumiu o time principal da Ponte Preta em dezembro de 2007 existia alguma perspectiva de que ele levasse a equipe à  decisão do Paulistão do ano seguinte?

Os fatos mostram um fator em comum: profissionais que poucos apostavam e que alcançaram o topo. O sucesso incutia um fator fundamental: a estrutura trabalhou para dirimir possíveis debilidades do protagonista. Tudo para levar a equipe ao topo. Pessoas ouvidas e que estão no dia a dia da Macaca asseguram que não há dissidências. Todos remam para o mesmo rumo. E assumiram o bônus e o ônus daquilo que está planejado.

Ou seja, o trabalho do técnico João Brigatti na Ponte Preta é de todos. Boa noticia. Porque? O caminho natural seria de que o ambiente interno fosse contaminado pelas redes sociais e a demissão fosse o caminho natural. É da cultura do futebol brasileiro trocar a cada tropeço ou decepção. Presença no G4? Esqueça. Quando a implicância chega não há quem segure.

Lógico, a presença no grupo de classificação na Série B é insuficiente para apagar a queda de rendimento nas ultimas rodadas e a eliminação na Copa do Brasil. Brigatti escalou mal nos 180 minutos contra o América Mineiro. Tomou decisões equivocadas. Só que foram resoluções construídas em conjunto. Não foi apenas de uma cabeça.

Este jornalista apurou que Brigatti troca ideias basicamente com duas pessoas, o auxiliar técnico Bazílio Amaral e o coordenador técnico Fábio Moreno.

Então esses profissionais devem ser sacrificados? Nada disso. Precisamos entender que o futebol é um processo e envolvem diversas pessoas. Cada acerto ou erro é viabilizado por um quebra cabeça em que estão envolvidos  profissionais da fisiologia, analistas de desempenho e comissão Técnica.

Ou seja, antes de discutir profissionais e suas capacidades, o caminho é debater o conceito de futebol reinante na Ponte Preta. É adequado? É correto? O que pode ser aprimorado ou corrigido? É em cima da racionalidade e do debate que o rumo pode ser retomado. Fora disso, é ficar refém do processo de erro e acerto.

(Elias Aredes Junior)