Atletas de Cristo, saiam do muro e repudiem de maneira clara a violência contra a mulher!

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Se você não fez uma viagem a lua ou ficou dormindo por vários dias seguidos, tomou conhecimento de que uma pastora pentecostal, Helena Raquel, ministrou uma pregação em um evento Evangélico em Camboriú (SC), no começo de maio. Sua fala foi em cima de um capítulo do livro de juízes, o que serviu de gancho para que ela patrocinasse uma fala contundente de repudio a violência contra a mulher. Incentivou que as mulheres denunciem seus parceiros violentos a Polícia. De imediato, a repercussão gigantesca fez com que ela participasse de entrevistas em canais de notícias. Virou uma celebridade instantânea. Sua mensagem atingiu nichos que talvez outra pessoa demorasse anos.

Uma declaração que sensibilizou celebridades e autoridades. Eis que faço a pergunta: E os atletas de Cristo? Vão ficar em cima do muro ou aderir a causa?

O grupo, espalhado em igrejas evangélicas de vários estados e países, tem um poder de influência que nenhum outro grupo tem no futebol brasileiro. Nenhum. São organizados, coordenados e interferem na rotina de clubes e até de seleções em Copas do Mundo.

Não vou citar ninguém aqui nominalmente, mas ao pesquisar as redes sociais de alguns destes atletas e ex-atletas, não vi uma menção, uma frase, qualquer declaração de apoio aos programas que lutam contra os atos violentos sofridos pelas mulheres. Nada.Detalhe: nem nas páginas de âmbito nacional do grupo Atletas de Cristo. Se existe tal declaração, está bem escondido. E se algum jogador e cristão deu alguma declaração e não teve repercussão, digo sem medo de errar: algo está errado.

Pense o que essa causa ganharia de força e alcance se os Atletas de Cristo da Série A do Campeonato Brasileiro empunhassem uma faixa pela causa antes das partidas. Imagine a influência que esses atletas teriam junto as lideranças de suas comunidades de fé. Um campeão brasileiro, mundial, de Libertadores -e até do mundo- exigindo que seu pastor, bispo ou apóstolo tomasse uma providência ao receber uma denúncia de abuso. Trace no seu imaginário um templo evangélico de portas abertas para colher denúncias e exigir posicionamento perante a Justiça. Sem parceria com a impunidade dentro de gabinetes pastorais. É possível. Desde que os jogadores queiram.

Jogadores de futebol são acusados de serem alienados e individualistas. Que são pessoas que não se engajam em projetos coletivos. Os atletas de Cristo tem uma oportunidade de ouro para saírem do marasmo.

Eles deveriam aproveitar as entrevistas não somente para darem seu testemunho de fé ou ostentarem camisetas com dizeres de amor a Jesus Cristo.

Isso é bacana e legal. Mas a pastora Helena Raquel, com sua coragem e determinação, abriu a porteira para que ninguém na sociedade fique excluído do tema. É hora de se posicionar. Abrir a boca para denunciar e repudiar homens que vitimam mulheres e consideram que o ambiente Evangélico é seu esconderijo. Não é. Um atleta disposto a denunciar e ser linha de frente contra a violência seria a mais bela declaração de amor direcionada a mãe, esposa, noiva ou namorada. Elas se sentiriam protegidas por saberem que possuem ao lado um parceiro de vida e não um algoz.

Atletas de Cristo, saiam do muro! Repudiem de maneira clara e cristalina a violência contra a mulher. Seria a mais bela declaração de amor a Jesus Cristo. E um golaço de vida.

(Elias Aredes Junior)