Na próxima segunda-feira, dia 13 de abril, o presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Junior, comandará a reunião mais importante do órgão dos últimos cinco anos. Conforme previsto no artigo 71 do estatuto oficial da Ponte Preta, o encontro será para analisar e deliberar a respeito das contas do clube. É a análise do balanço financeiro do último ano de mandato de Marco Antonio Eberlin.
Um período conturbado, diga-se. Eberlin diz que suas finanças foram prejudicadas pelos bloqueios judiciais que impediram o acesso a recursos para quitar os salários de jogadores e funcionários. Os oposicionistas rebatem e dizem que os problemas administrativos foram gerados por má gestão e decisões equivocadas, como o pagamento de salários acima daquilo que o clube poderia pagar na Série C. Ou seja, mais do que uma análise técnica, será um embate político.Os oposicionistas, por exemplo, afirmam que, quando estavam no poder, concediam um periodo para que o balanço financeiro fosse colocado á disposição dos conselheiros e fosse direcionado para esclarecimentos. Eles reclamam que o documento exibido em cima da hora, sem chance para análise e esclarecimento de dúvidas.
Quem apoia a atual administrativa relembra que isso não passa de cortina de fumaça, pois quando o time caiu no Brasilierão de 2017, a Diretoria Executiva de ocasião deixou os três meses sem pagamento de salários aos jogadores e mesmo assim a peça orçamentária foi aprovada no ano seguinte. Sem sustos.
O Só Dérbi conversou nos últimos três dias com integrantes dos dois espectros políticos. A maioria afirma que a tendência é de aprovação da peça orçamentária. Os motivos são diversos. Em primeiro lugar porque os contrários a atual administração encontram-se entre alguns Conselheiros Natos e conselheiros eleitos insatisfeitos pela falta de voz e interferência na atual administração. Mas esses grupos são minoria. A dúvida é saber o tamanho da provável vitória.
O cenário ideal para o atual grupo político seria um comparecimento expressivo -metade do Conselho Deliberativo – e que a peça orçamentária fosse aprovada com um percentual muito alto de votos. Apesar da contrariedade da torcida, isso fortaleceria tanto o atual presidente Luiz Torrano como a primeiro vice-presidente Marco Antonio Eberlin, apesar do quadro calamitoso na parte financeiro.
O segundo cenário é de um triunfo de porte mediano. Ou seja, ocorreria uma presença de pelo menos um terço dos habilitados a participarem da votação e a aprovação ocorreria com muito barulho por parte da oposição e um contigente consideravel de votos contrários. A terceira hipótese seria a de uma “vitória de pirro”. Ou seja, um baixo comparecimento de ambos os lados políticos do clube e uma aprovação da peça orçamentária mas com reduzido número de votos, entre 30 e 40 votantes.
Possibilidade do balanço financeiro ser recusado? Teria que ocorrer a tempestade perfeita. Em primeiro lugar que os integrantes do Conselho Fiscal não endossassem o documento e ao mesmo tempo que a mobilização nas redes sociais provocasse uma mudança brusca no resultado final na hora do encontro. Hoje, isto é improvável. Mas na política e na Ponte Preta, tudo é possível.
(Elias Aredes Junior com foto de Diego Almeida-Pontepress)












