O ano de 2021 e a inútil obsessão pela chegada de reforços na Ponte Preta. Leia e entenda!

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O jornalismo esportivo tem vícios. Muitos fomentados e aumentados pela torcida. Um deles é o processo que envolve pautas que vendem soluções mágicas, mas não auxiliam nada para resolver questões mais profundas.

Exemplo: reforços. Contratações são vendidas como a solução de todos os males, especialmente na visão da torcida. Vejo isso no próprio grupo de Whatsapp da Ponte Preta no Só Dérbi.

Não existe um dia que não se peça reforços.  O torcedor da Ponte Preta considera que um novo tempo será vivido. Basta assinar um papel e pronto.

Chegaram o volante Iago Henrique, o lateral-esquerdo Marcelo Hermes e o executivo de futebol, Alarcon Pacheco prometeu mais jogadores. E assim, de post em rede social a noticia no site oficial, a esperança é fomentada. Assim como na inter-temporada, em que um jogador é anunciado por dia.

Pedir e discutir sobre reforços são temas salutares, mas é pobre, raso.

A qualidade do jogador está intrinsicamente ligada aquilo que o clube pode oferecer. A conta é óbvia: se tenho boa estrutura, recursos financeiros, estabilidade institucional, a consequência natural é que vou atrair jogadores de boa qualidade. Ou nem vou precisar contratá-los, porque vou revelar de baciada. E com qualidade. Quando contrato demais, o sinal é que o trabalho é ruim, sem rumo. E a esperança é vã.

É óbvio. Se tudo for uma bagunça, se o salário estiver atrasado, qual a chance de contar com um jogador que realmente mude o patamar ? Que atleta de elite vai topar encarar o incerto? No fundo, gastamos energia com algo que não traz a solução definitiva. E como achar que um pedaço de esparadrapo cura uma fratura exposta. Não rola.

Você argumenta e diz que muitos chegaram e resolveram. Mesmo durante o campeonato. Eu respondo: remendo. Falta de trabalho com começo, meio e fim. De acordo com o repórter Antonio Luppi, da Rádio Bandeirantes, a Ponte Preta contratou 122 atletas desde janeiro de 2018.

Pergunto: resolveu?

A Macaca subiu de patamar?

Então pense: se esse caminhão de jogadores foi contratado e nada de relevante foi obtido, porque você continua na fissura de pedir reforços?

A discussão deveria mudar.

A cobrança tem que ser diferente. Reivindicação deveria ser por melhoria de estrutura. Traduzindo: salário em dia, Centro de Treinamento moderno, Moisés Lucarelli reformado, profissionais capacitados, estabilidade institucional, entre outros pontos.

Nos últimos 25 anos, a única coisa que mudou na Ponte Preta, infelizmente foi o calendário.

Craques apareceram?

Sim, é verdade.

Mas o índice de erro, as trapalhadas e as decepções foram maiores. E ficamos na eterna ilusão de que um reforço aqui e acolá fará com que o pôr do sol resplandeça no vestiário. Ledo engano.

Repito: como um jogador pode fazer a diferença diante de tal quadro? Do que adianta pedir e clamar por reforços? Está na hora de encararmos a realidade. E pedir aquilo que realmente vai mudar a Macaca. Sem ilusões.

(Elias Aredes Junior-foto de Álvaro Junior-Pontepress)