terça-feira , 17 julho 2018
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A venda de Bruno Silva e uma urgência: uma discussão sobre a dívida da Ponte Preta com Sérgio Carnielli

O  roteiro é idêntico a cada negociação concluída pela Ponte Preta e que envolve valores: nas ruas e nas redes sociais, conjecturas e análises são feitas sobre aquilo que teria sido direcionado ao presidente de honra, Sérgio Carnielli, pois o clube lhe deve R$ 101 milhões. O fenômeno foi repetido, agora, na conclusão da venda do volante Bruno Silva ao Cruzeiro. No mínimo, a Alvinegra receberá R$ 1 milhão.

O tema da divida com Sérgio Carnielli gera controvérsia. Os defensores do dirigente apontam a ingratidão dos seus detratores, pois sem estes recursos a agremiação teria fechado a porta há tempos. Existe um grupo (minoritário!) com uma postura radical. Considera que Carnielli não tem direito de cobrar nada. Mais: se o dirigente colocar dinheiro no bolso, isso poderia infringir o artigo 107 do estatuto que prevê punição para aqueles que obtêm vantagem para si dentro da agremiação.

Justificativa: se colocou os recursos foi por livre e espontânea vontade e ele já conhecia as armadilhas do futebol. Então, o prejuízo deveria encontrar-se contabilizado.

Não sou nem de um clube e nem de outro. Acredito que o tema precisa ser discutido com maturidade e o Conselho Deliberativo precisa participar. Até porque de certa forma é coadjuvante do processo.

Explico: os aportes de Carnielli começaram a partir de 2007, quando o dirigente ficou ansioso para viabilizar o retorno à primeira divisão do futebol nacional. Em 2009, o então presidente chegou a colocar em um único mês R$ 650 mil para custear um time caro na Série B e viu o rival Guarani subir com uma folha mensal de R$ 350 mil mensais. Suprema ironia: só saiu do abismo da Série B quando Márcio Della Volpe e Niquinho Martins formaram um time barato, dentro da cota recebida de televisão, tudo isso capitaneado por Gilson Kleina.

Nesse período, o Conselho Deliberativo nunca cobrou de modo vigoroso o dirigente por esses aportes. Sequer aprofundou um debate para viabilizar o pagamento do montante. Não estabeleceu datas para pagamento de devolução. Justificar a omissão pelo fato de que espera-se pela construção da arena no Jardim Eulina e um prédio comercial para fazer a devida compensação não cola mais. Há anos a obra não tem andamento, os recursos não são viabilizados e não existe um anúncio concreto sobre o empreendimento.

Qual a saída? Para exterminar com as especulações geradas a cada transação e venda de jogadores, que o Conselho Deliberativo vote uma proposta concreta de pagamento, seja de forma mensal ou para destinar uma parcela da receita anual ao dirigente todos os anos. Que esse plano seja assinado pelas partes envolvidas, registrado em cartório e a partir daí cesse qualquer tipo de ajuda por parte do dirigente ou de qualquer outra pessoa.

O que não dá é o torcedor ficar com a sensação de que este tema não tem solução e que cada transação não é uma chance de melhoria para o clube e sim o pagamento de uma dívida.

Guardadas as devidas proporções, o ex-presidente palmeirense Paulo Nobre também aportou recursos no Palmeiras, mas definiu uma forma de pagamento, que já está na reta final.

Que a Ponte Preta não adie a solução de um tema tão delicado.

(análise de Elias Aredes Junior)

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3 Comentários

  1. Chico Fundamentalista

    Concordo. Apesar de me enquadrar no bloco que consideram o Carnielli um “Semi-Deus”, acho que precisa haver mais transparência quanto a divida e a forma de pagamento. A sugestão do Elias, de reservar uma porcentagem da receita anual para destinar ao pagamento da divida, muito me agrada.
    Ademais, isso trará lisura e credibilidade junto aos patrocinadores e a todos do mundo da bola.

  2. Carnielli é o homem que arrogou para si a onipotência. É o cúmulo da arrogância humana. A queda será inevitável.

  3. Nem Beto Zini, em toda a sua loucura e prepotência, chegou ao ponto de Carnielli. Esse homem, Carnielli, afirmou que pode tudo. Declarou ser onipotente. Nunca vi tal coisa no mundo do futebol. A AAPP está no caminho do fracasso. A volta ao ostracismo é inevitável.

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