Análise Especial: Desejo de extinção do VAR, uma posição estúpida e sem sentido

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No Maracanã, a vitória flamenguista sobre o Corinthians foi cercada de polêmica. Centro da discussão: o árbitro de vídeo. Pior foi em São Januário. O equipamento não funcionou no primeiro gol colorado e após a conferência na imagem, o árbitro apitou pênalti para o Vasco e Kano desperdiçou.

Em um mundo normal e civilizado, qual seria a reação? Cronistas esportivos, torcedores e comentaristas de arbitragem exigiriam que ocorresse melhoria na manutenção das máquinas e que os profissionais recebessem treinamento qualificado, e quem sabe chegar ao nível do futebol inglês, em que a checagem de lance demora menos de dois minutos.

Nada disso. O que todos querem é a exclusão do VAR. Todos os outros esportes utilizam o equipamento eletrônico, incrementam o senso de justiça e o que fazem alguns no Brasil? Pedem para retornarmos aos tempos das cavernas. E pior: tentam desqualificar quem considera o VAR um instrumento para que em médio e longo prazo o futebol seja tratado com equidade. Uma discussão estúpida e sem sentido. E que infelizmente diz muito sobre nossa sociedade.

Não que o futebol com VAR seja uma maravilha. Mas retirar o apetrecho é asfaltar a estrada para a corrupção, a manipulação de resultados, o jogo sujo e o favorecimento aos gigantes fique ainda mais acentuado. Pense: se existisse VAR em 2005, será que o trabalho de Edilson Pereira de Carvalho para manipular os resultados não teria uma dificuldade maior?

Aqueles que desejam a exclusão do VAR comportam-se como o camarada que não sabe dirigir um carro e não sai da segunda marcha. Acha seguro andar a pé. Ou de charrete. Nada de aprimoramento. Esqueçam a possibilidade de aprender a manusear o equipamento. Eu não sei? Jogue no lixo aquilo que foi feito para facilitar. Reafirmo: pensamento estupido. É forte, grosseiro, mas não consigo encontrar outro termo.

Interessante como os fatos depõem contra aqueles que lutam contra o VAR.

Sálvio Spinola Fagundes Filho é comentarista de arbitragem. Trabalha no Grupo Globo. É um militante contrário ao VAR. Quem vê suas exposições imagina que ele foi um árbitro nota 10 em todos os jogos. Eu disse todos. Jamais cometeu um erro sequer. Os fatos desmentem. No  Campeonato Paulista de 2008, o atual analista anulou um gol legal do são paulino Adriano nos minutos finais do jogo Corinthians x São Paulo e que terminou sem gols. O árbitro enxergou falta inexistente do atacante no zagueiro William. Ou seja, se o VAR existisse, ele poderia ir até a cabine de vídeo, constatar o seu equívoco e dar o gol ao São Paulo. Não. Pelo seu pensamento, a injustiça deve ser perpetuada. Um pensamento, no mínimo, tacanho. Já pararam para pensar quantos árbitros tiveram seus trabalhos aprimorados e com redução de erros graças ao VAR? Gente que na atualidade sofre menos com problemas emocionais. Ou alguém acha que o árbitro ser xingado e julgamento sumariamente nos estádios e nas redes sociais não produz consequências em termos de saúde mental? Pense. Reflita. Saia da casinha.

A resistência ao VAR diz sobre nosso país e seus valores. Será que realmente queremos um país limpo? Queremos decência? Ou nosso brado moral é apenas da boca para fora?

O árbitro de vídeo é sim, um caminho, para buscar incessantemente um futebol mais limpo e justo. Leonardo Gaciba é um péssimo comandante de arbitragem na CBF? Concordo. Mas ele vai melhorar se o VAR for extirpado? Claro que não. A CBF precisa fornecer instrumentos para que sua gestão seja melhor e que a operação seja mais eficiente.

Está na hora de queremos a evolução para valer no futebol. Busca de emoção fácil sem construção de instrumentos de justiça não vale nada.

Se isso não acontecer, aqueles que bradam contra o VAR podem indiretamente abrir a lacuna para a desconfiança sobre o esporte. O que é ruim pode ficar ainda pior.

(Elias Aredes Junior)