sexta-feira , 21 setembro 2018
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Análise tática Ponte Preta: não é hora para desespero. Só que nem o alicerce está pronto!

Fatos são simbólicos. Há poucos dias, a Ponte Preta faturou o Troféu do Interior e muitos queriam vender uma imagem de rosas e ufanista, reforçada após a goleada sobre o Náutico pela Copa do Brasil.

Não vou tripudiar a equipe após a derrota em casa para o Paysandu. Longe disso. Só quero realçar aquilo exposto nos 90 minutos: a temporada começou para valer e existe um caminho para ser percorrido e formatar um time competitivo. Lógico, só um louco ignoraria a pressão do segundo tempo e as defesas de Renan Rocha. Talvez o empate fosse mais justo. No entanto, algumas falhas parecem crônicas e devem ser combatidas.

Aceito e compreendo as contestações, mas o técnico Doriva, em poucos dias de trabalho, fez o que era possível. Quando tem a posse de bola, em poucas oportunidades, a bola foi rifada. A famosa ligação direta diminui. Muito. A tentativa é  iniciar a jogar com os zagueiros e a partir daí fazer a bola rodar, de um lado para outro, sem pressa para buscar a penetração na área ou a linha de fundo.

Outros empecilhos foram encarados pelo treinador. Problema número 1: a Macaca não tem armador. Alguém com capacidade de dar um toque, um lançamento em profundidade. Uma proposta foi utilizar o volante Paulinho como condutor das jogadas a partir da zona intermediária e, com isso, aparecer como elemento surpresa para o chute de média e longa distância ou o trabalho nas imediações da área.

Duro é verificar as debilidades. O remendo feito com Paulinho não esconde a falta de criatividade do meio-campo. Existe a preocupação de girar a bola, mas sem um passe vertical, articulado e nas costas dos zagueiros adversários. Dobras ofensivas ou triangulações não aparecem com consistência. Fica na conta do escasso período de trabalho do treinador.

Em algumas posições, não há plano B. Na cabeça de área, Nathan faz a proteção dos zagueiros. No segundo tempo, Doriva tirou Reynaldo, colocou Murilo e sacou o volante para a posição. Resultado: time exposto e sufoco em alguns lances. A Macaca criou volume de jogo? Teve oportunidades? Tudo isso é verdade. O que não quer dizer que isso foi produto de uma estratégia coordenada, com opções e variações. Falta muita coisa. De positivo, apenas a entrada de André Luís, portador de velocidade e movimentação, que confundiu a zaga do Papão. Faltou companhia.

Duas lições ficam. A primeira é que faturar o título do Interior e golear o Náutico foram vitais para restabelecer a confiança de dias melhores. E que eles podem vir. O treinador é dedicado, deseja vencer e alguns jogadores podem fazer diferença. Mas a casa para ser construída pela Ponte Preta no bairro Série B ainda não tem sequer o alicerce. Ponderação e frieza na análise, sim. Sem esquecer dos desafios colocados pelo destino.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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