As lições do líder inglês Leicester City para Ponte Preta

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Comete bobagem o jornalista que ignora as redes sociais. É preciso entender e captar suas expressões, reclamações e demandas. Em pleno sábado de carnaval, a torcida da Ponte Preta mostra-se inconformada com seu jejum de vitórias no Campeonato Paulista enquanto o modesto Leicester City lidera a Premier League com 53 pontos, cinco a frente do Tottenham.

Como estamos com 25 jogos disputados, não é delírio imaginar que o modesto time fique pelo menos entre os cinco primeiros colocados. A divisão mais justa das cotas na Inglaterra é um combustível, algo não existente no cenário brasileiro. Mesmo assim, a torcida da Ponte Preta tem razão em comparar as duas situações e criticar a atual diretoria? O time inglês tem lições a serem ministradas? A resposta é sim ao constatar algumas informações do clube inglês.

 

Admissão de erros e humildade nos acertos

Cláudio Ranieri quer fazer história no futebol inglês. E será bem remunerado
Cláudio Ranieri quer fazer história no futebol inglês. E será bem remunerado

Duas palavras podem ser creditadas ao clube inglês: humildade e reciclagem. Na edição passada do Campeonato nacional, o time terminou na 14ª colocação com 38 pontos, quatro a frente do Hull City, que terminou na 18ª posição e primeiro rebaixado. Ou seja, algo não foi bem.

O que fez a diretoria local? Admitiu os erros, mirou na permanência nesta edição e em nenhum momento cravou que não era possível sonhar. Talvez este seja um problema na Macaca. Dinheiro faz falta? Lógico que sim. Mas já vi muito casal com R$ 2 mil de renda mensal ser mais próspero do que casais com o dobro de dinheiro. A Ponte Preta acertou nas contratações do ano passado e merece crédito. Mas na média, o seu histórico provoca reflexão. Um Cléber, um Cicinho, a projeção de um Renê Júnior ou até de um Fernando Bob não apagam as centenas de Tony´s, André Luis e Magal´s já estiveram no Majestoso. No fundo, é dinheiro jogado fora

Integração com a Comunidade e com celebridades

Para o Leicester, encontrar-se na sua comunidade nunca foi um ponto negativo. Leicester é um time de média expressão na Inglaterra que fica na zona central da Inglaterra, localizado a 143km de Londres e com 300 mil habitantes. Pelas reportagens veiculadas, os dirigentes intensificam os elos com a comunidade local ao invés de sistematicamente reclamar contra Chelsea, Liverpool, Manchester United, Arsenal e Tottenham, considerados os gigantes ingleses. O grupo de rock Kasabian tem orgulho de ostentar o distintivo e o clube não se opõe. Pelo contrário. Pergunta: será que não existe no planeta Terra nenhum profissional renomado e famoso que é pontepretano. Por que a diretoria não projeta estas pessoas? Por que ações não são feitas para exibir o orgulhas dessas pessoas em torcer para Ponte Preta? Será que isso não atrairia novos torcedores?

A Ponte Preta e o orgulho de ser campineira

Mais: a Ponte Preta não pode encarar como fardo o fato de ser sediada em Campinas. Competir com os clubes da capital pela preferência dos torcedores é um impeditivo para o crescimento qualitativo e quantitativo. Balela. Campinas tem em sua região metropolitana cinco milhões de habitantes. Um vasto mercado para transformar o time em uma marca e um símbolo da região.

Programas pontuais como Food Truck e facilidades para trazer o torcedor ao estádio são importantes. Mas é preciso mexer com o sentimento, a emoção, instigar a esperança de dias melhores, mesmo com limitações no orçamento. Os dirigentes vendem um excesso de realidade. Que é primordial na condução da parte administrativa, mas tem que ser dosada para atrair aquele que paga as contas, o torcedor.

Criatividade para atrair profissionais

O Leicerter City de certa forma ensina a Ponte Preta que a criatividade pode atrair profissionais renomados. Veja o caso do seu técnico Claudio Ranieri. O italiano de 64 anos, nas suas andanças por clubes italianos e franceses tem oito títulos no curriculo. Á primeira vista, não deveria ficar atraído por treinar um time inglês fadado a luta contra o

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Jorginho, o técnico que deixou um gostinho de “quero mais” após o vice da Sul-Americana

rebaixamento. Qual foi a sacada? Vender uma ideia. Como o treinador não tem uma liga nacional, o controlador do clube, o tailandês Vichai Srivaddhanaprabha ofereceu 100 mil libras (R$ 587 mil) ao técnico por cada posição que o Leicester terminasse acima da zona de rebaixamento.

Se conseguir conquistar o Campeonato Inglês, Ranieri embolsará 1,7 milhão de libras (R$ 9,9 milhões) pelas 17 colocações acima da zona de descenso. Ao relacionar a relação custo/benefício podemos concluir que o gasto seria muito maior com uma estrela de primeira grandeza.

A Macaca diante do sua história 

A Macaca, pelas atuais condições financeiras, não pode sonhar com Muricy Ramalho, Marcelo Oliveira ou Diego Aguirre, detentores de salários acima do normal. Mas será que nos últimos anos, mesmo com contratos prevendo premiações e gratificações em caso de conquistas, será que não faltou ofertas mais criativas, compensações financeiras que saíssem do lugar comum? Um caso clássico: uma oferta financeira de menor calibre, mas criativa nas premiações não provocaria a permanência de Jorginho, técnico vice-campeão da Sul-Americana em 2013? É para se refletir.

No final das contas, você pesquisa, checa, compara e faz a leitura de diversas informações e verifica que Leicester City faz história porque joga com todas as suas armas. A Ponte Preta ainda não descobriu a força que tem. Uma pena.

(Análise feita por Elias Aredes Junior)