As mensagens e os simbolismos registrados na contratação de Toninho Cecílio como novo executivo do Guarani

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Toninho Cecílio é o novo Superintendente de Futebol do Guarani. Ex-jogador do Palmeiras na década de 1980, ele desembarca com a missão de dar um norte em um local que não transmite a mínima confiança ao torcedor bugrino. Os últimos trabalhos conduzidos pelos executivos após a saída de Rodrigo Pastana deixaram a desejar. Mas a contratação deixa alguns mensagens que precisam ser expostas.

A principal é que o Conselho de Administração escancara que a meta é fugir do rebaixamento. Se desejasse lutar pelo acesso, a contrataria seria de um profissional com anos e anos de Série B e com conhecimento profundo do mercado e das caracteristicas da competição. Não é o caso. É uma aposta. Com todo o respeito que merece Toninho Cecílio. Pode dar certo e chegar a primeira divisão? Pode. O futebol é maluco. Mas cautela é algo recomendável. 

A outra mensagem é que o futebol profissional está entregue aos boleiros.

Saem os profissionais de perfil acadêmico como Rodrigo Pastana, Lucas Drubscky e Juliano Camargo e entra uma dupla forjada nos vestiários, no caso de Danilo Silva e Toninho Cecílio. Talvez melhore a interlocução com os jogadores e existe agora duas figuras que jogaram e podem discutir em patamar igual com o novo treinador. Sem contar que Toninho Cecílio tem trajetória como treinador. Pode ser um diferencial.

Se considera o texto ácido, uma questão: alguém acha que existe alguém no Conselho de Administração, Conselho Deliberativo e no Conselho Fiscal com o padrão de conhecimento da novo dupla manda chuva do Guarani? Não tem.

Além dessas mensagens existe um fator positivo que poucos se deram conta. O trabalho que mais chamou atenção de Toninho Cecílio foi aquele que levou a Portuguesa ao acesso na Série A-2 em 2022 com a Portuguesa. Não mire apenas no escudo e sim na conjuntura. Toninho triunfou em um clube em tremendas dificuldades financeiras e com infraestrutura muito longe do ideal. Fez muito com pouco. É o que precisa o Guarani neste momento.

O êxito, no entanto, só ficará mais próximo se Toninho Cecilio tiver autonomia. Não a autonomia teórica e que cai no primeiro desejo do dirigente em dar o seu pitaco. É porteira fechada para evitar palpites inconvenientes, caroneiros na hora da vitória ou gente de terno e gravata que se considera apto a definir os rumos do serviço de quem veste agasalhos. Em outros clubes é diferente? O cartola dá palpite? Ok, mas este Guarani do século 21 é diferente. Só dá certo quando quem é do ramo tem liberdade para trabalhar.

Esperamos que os integrantes da estrutura de poder tenham aprendido a lição. Caso contrário, Toninho será mais um profissional a ser tragado por esse furação que mistura vaidade e falta de autocrítica e que já levou muitos bons profissionais na vala. E que pode tragar o clube se nada for feito. Que Toninho Cecílio tenha sorte. Vai precisar. Muito.

(Elias Aredes Junior com foto de Raphael Silvestre-Guarani F.C)