Diretoria da Ponte Preta e Comissão fazem mobilização para convencer opinião pública sobre validade da Arena. E o povão? Vai prevalecer?

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O apoio esmagador dentro do Conselho Deliberativo não serviu de ilusão para que WTorre e a diretoria executiva deitassem em cima do berço esplêndido. Pelo contrário. Foi detonado um esforço concentrado para convencer a opinião pública (leia-se torcida da Ponte Preta) sobre a validade do empreendimento.

O passo inicial será a realização em breve de uma entrevista coletiva para explicar o projeto e que deverá ter a presença de um representante da comissão da arena, da empresa responsável pelo Fundo Imobiliário e do presidente Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho.

Um esforço já está sendo feito, que é de transmitir a mensagem de que a nova Arena terá uma cara popular.

Prova disso é que na reunião do Conselho Deliberativo já foi apresentado a ideia de que a Arena, projetada para 21. 236 lugares poderá chegar a 30 mil para que na região atrás dos gols não tenha cadeira e seja tudo de concreto. O método será voltado aos torcedores que levam instrumentos e que são as torcidas organizadas.

Digamos que tal alteração represente uma roupagem popular. Será um decréscimo em relação ao Majestoso.

Por que?

Durante muito tempo, as organizadas e torcedores que gostavam desta festa do futebol ficavam na parte central do Majestoso. Mudou? Verdade. Agora estão atrás do gol de entrada.  Só que no novo espaço é de presumir que os lugares mais caros ficarão na parte central. Ou seja, para os ricos e componentes da classe média alta. O que não acontece no Moisés Lucarelli. O Sócio Torcedor, aquele que adquire o ingresso normal consegue muitas vezes sentar na parte central.

Quando o Majestoso lota, a maioria é de gente das classes C, D e E. Na nova arena, será da classe média alta e da elite. Nada contra, mas dá para notar a diferença? Pois é.

Que fique claro. Este jornalista e este Só Dérbi são favoráveis a modernização e a melhoria dos espaços para acomodação dos torcedores. Considera que uma reforma do Majestoso traria muito mais apoio dos torcedores.

Por mais moderno que esteja no papel, não concordo com qualquer projeto que seja elitista, que retire o pobre e o negro da arquibancada e pela via econômica. O Allianz Parque pode ser um sucesso sob um ponto de vista econômico, mas é um fracasso sob a ótica social. Ou alguém esqueceu das cenas na final da Copa do Brasil de 2016, quando torcedores pobres e sem condições ficaram do lado de fora e assistiram a decisão contra o Santos em uma televisão presente em um boteco? Queremos ver esse filme repetido no novo estádio da Ponte Preta?

Se os responsáveis pelo projeto esqueceram de suas origens e do povo brasileira, paciência. A nação pontepretana tem a semente forjada pelo povo. Não pode ser descartado agora em nome do dinheiro.

(Elias Aredes Junior)