Nova Liga e a missão colocada para Ponte Preta e Guarani: evitar o rebaixamento á Série C. De qualquer jeito!

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Dirigente adora uma confusão. A vaidade prevalece sobre qualquer interesse coletivo. O conceito aplica-se neste processo de discussão de formação da nova Liga de futebol do Brasil, já intitulada de Libra.

Novo passo foi dado na segunda-feira, dia 09 de maio. Os 23 clubes das Séries A e B que não assinaram a proposta inicial , a Libra, divulgaram uma nova carta proposta. Anunciaram que são um bloco e afirmam que não estarão presentes na reunião convocada para o dia 12 de maio, na sede da CBF.

Motivo: querem mais dinheiro. Especificamente que 50% dos recursos sejam distribuidos igualitariamente. Querem evitar, segundo eles, um aprofundamento da disparidade de renda existente no futebol brasileiro. Parece algo justo.

Os dissidentes do futebol brasileiro agendaram outro encontro, para o dia 16 de maio e depois pretendem convidar os oito assinantes da Libra para conversar. Mas só depois do aparecimento de uma proposta por escrito.

Os 23 clubes que assinaram são os seguintes: América Mineiro, Chapecoense, Atlético Goianiense, Avaí, Brusque, Ceará, CSA, Athletico Paranaense, CRB, Náutico, Coritiba, Criciúma, Cuiabá, Juventude, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Londrina, Operário,Sampaio Corrêa, Sport , Tombense e Vila Nova. Ainda não assinaram e não se posicionaram em nenhum dos lados: Bahia, Vasco, Guarani, Ituano, Novorizontino, Botafogo, Grêmio e Internacional.

Os oito clubes que assinaram foram os seguintes: Bragantino, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Ponte Preta, Santos e São Paulo.

Para quem considera que o futebol e política não se misturam o atual quadro é um tapa na cara proporcionado pelos clubes. Na verdade tudo não passa de uma disputa de poder e com protagonistas bem definidos.

Os oito que assinaram a adesão a Libra tem em Flamengo e Corinthians os seus principais líderes. Só os dois clubes tem aproximadamente 35% de torcedores de todo o Brasileiro. Já entre os 23 dissidentes, apesar da liderança e das articulações do presidente do Sport, Yuri Romão, não há como renegar a força do Athletico-PR e de seu dirigente supremo, Mário Celso Petraglia.

Quanto aqueles que estão em cima do muro, que ninguém se iluda: eles sabem do poder que tem nas mãos. Grêmio e Internacional, por exemplo, contam com torcidas apaixonadas e com alto grau de fidelidade. Basta dizer que o tricolor gaúcho tem aproximadamente 80 mil sócios torcedores enquanto que o rival conta com mais de 79 mil associados. É gente que consome, torce, acompanha e consome produtos do clube. Muito.

Quem não se interessaria por algo tão precioso? O Vasco da Gama por sua vez tem quase 10 milhões de torcedores. Um ativo precioso. Por que já tomar uma decisão? Repare que não falamos do jogo da bola. Falamos de um tema essencialmente capitalista.

E nesta novela, os clubes de Campinas já fizeram suas escolhas. A Ponte Preta já decidiu assinar e mesmo que indiretamente ficou como aliada dos gigantes da capital paulista e do Flamengo. O Guarani, por sua vez, certamente vai esperar as nuvens se dissiparem para tomar sua decisão.

Acredito que a Liga vai sair de um jeito ou de outro. E mais recursos estarão à disposição. Qual a missão de Ponte Preta e Guarani em cenário tão complexo? Evitar a qualquer custo o rebaixamento á Série C. Não dá para ficar fora da festa justamente na hora em que o bolo será servido.