O futebol brasileiro quer mudar. E excluir o interior paulista. Está na hora de pensar em um Plano B

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Este Só Derbi considera precipitada a edição da Medida Provisória 984. O assunto dos direitos de televisão deveria ser assunto de um projeto de lei e com amplo espaço para discussão. Isso não quer dizer que vamos fechar os olhos aos acontecimentos. Fato principal: os estaduais, no formato em que se encontram estão com os dias contados.

A única exceção é São Paulo. Não se sabe até quando. O que garante sua visibilidade é a verba fornecida pela televisão (leia-se Rede Globo) e que tende a diminuir nos próximos anos.

Em 2019, uma pesquisa da IAB Brasil detectou que um terço de toda a verba publicitária era direcionada ao meio digital. Ou seja, com o passar do tempo, a televisão terá que se readaptar. Leia-se: pagar menos por campeonatos que precisam ser atraentes.

No curto prazo, o Paulistão estará garantido. Depois, ninguém sabe. Um cenário que afeta diretamente Ponte Preta e Guarani. Atualmente as equipes levam cada uma quase R$ 6 milhões da competição regional e outros R$ 8 milhões na segundona nacional. Ou seja, o cenário não pode mudar bruscamente. Sob pena de configurar-se em desastre.

O problema central é que os outros personagens já se movimentam. A Copa do Nordeste já é rentável para os gigantes locais. O presidente do Atlético Mineiro, Sérgio Sette Câmara, pretende ressuscitar a Copa Sul-Minas. No Rio de Janeiro, os quatro gigantes reclamam há muito tempo da projeção do cariocão. Pergunta: e se eles quiserem ressuscitar o Rio São Paulo como um torneio preparatório? As movimentações recentes não podem tirar tal hipótese do radar.

Nesse ponto que desejo chegar. Clubes do interior do estado de São Paulo dificilmente terão acesso a esse novo calendário. Uma realidade em um futebol cada vez mais concentrado em recursos.

Qual seria a solução? Não serei hipócrita em dizer que é a solução ideal. Porém, considero que não seria devaneio uma reunião dos principais clubes do interior paulista e criarem uma competição nos moldes da Copa Paulista. Porém, com mais atrativos e auxilio da federação paulista de futebol para apurar uma cota de valor razoável.

Guarani, Ponte Preta, Internacional de Limeira, Ferroviária, XV de Piracicaba, Mirassol, Red Bull Bragantino, Botafogo de Ribeirão Preto, Santo André. Só este portifólio seria suficiente para formatar um torneio rápido, interessante e que pudesse fazer parte de televisões fechadas ou em pacotes de streaming.

São equipes tradicionais, com forte presença regional e capaz de trazer bons públicos em seus estádios.  Seria um bom preambulo para as competições. E tudo poderia ser organizado por uma liga independente? Não sei. Mas seria a hora de pensar.

Porque os gigantes paulistas já demonstraram por A mais B que pouco se importam com o interior. É hora de pensar em um plano B. Antes que seja tarde.

(Elias Aredes Junior)