terça-feira , 18 dezembro 2018
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Pesquisa Datafolha comprova: Fla e Timão avançam com passos largos. O que fará o futebol campineiro?

Em situação normal e corriqueira, dirigentes de Ponte Preta e Guarani estariam ao redor de suas mesas e preocupados com os números divulgados hoje pelo Datafolha em relação a preferências dos torcedores no Brasil. Vamos por um instante esquecer a abordagem sobre a disputa entre bugrinos e pontepretanos na Região Metropolitana de Campinas. O foco é outro.

O levantamento diz que de cada 100 torcedores na região sudeste, 19 torcem para o alvinegro paulista, 14 para o rubro-negro e 21 não torcem para time nenhum. Ou seja, se levarmos esta média para as nossas cidades, sobram apenas 46 torcedores em grupo de 100 para serem conquistados. E desse total, 22 torcedores, já estão ou com São Paulo, Palmeiras e Santos. Mesmo que os times cariocas não estejam presentes, a distribuição de preferência entre santistas,  palmeirenses e são paulinos é notória.

Ou seja, a margem de manobra é estreitíssima para Ponte Preta e Guarani buscarem mercado. Vou além: dizer que conquistar títulos e forjar ídolos pode ser suficiente para cativar a arquibancada é uma meia verdade.

Explico: nas décadas de 1970, 1980 e 1990 as transmissões de televisão eram escassas ou existia uma equiparação. Tudo isso ficou no passado. A prioridade é total ao Corinthians, monopolista das transmissões e do enfoque no noticiário. Como a busca pela audiência é fraticida, as emissoras adotam a chamada bola de segurança. Se não é Corinthians, o foco fica em Flamengo, Vasco ou Palmeiras.Um expediente que prejudica até os outros gigantes paulistas, confinados ao pay per view.

Inclua neste balaio as crianças e seu fanatismo por equipes europeias. Toda  semana temos um jogo do Arsenal, Barcelona, Real Madrid, entre outros. Uma pergunta que não sei responder e talvez nenhum torcedor campineiro saiba: como as equipes de Campinas podem se contrapor a um oponente tão poderoso?

Este cenário justifica as cobranças fortes realizadas por este Só Dérbi em relação da melhoria de infra-estrutura nos dois clubes, método pormenorizado de contratações e dirigentes profissionais na acepção da palavra, sabedores dos desafios colocados por gigantes nacionais e internacionais. Os resultados recentes são bons? Sim. Mas é no médio e longo prazo que é construída uma estrutura decente.

A pesquisa do Datafolha escancarou a necessidades de medidas urgentes em Campinas. Antes que seja tarde demais.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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2 Comentários

  1. Meu caro Elias, se me permite o pitaco, acho que o buraco é ainda mais embaixo. Você com a habilidade de sempre mostrou as dificuldades dos times do interior, no geral, em fomentarem suas torcidas antes a concorrência leonina e desigual dos ditos “grandes”, mas tem uma coisa ainda mais relevante: tão ou mais preocupante que a extinção das torcidas locais é o fato de que não é Corinthians nem Flamengo a maior torcida brasileira. É NENHUM. Com 22%, bate de longe Corinthians e Flamengo. E isso é muito sério.

    Desanimador também o seguinte fato: 41% dos brasileiros não têm o menor interesse por futebol. E, em um ano, esse percentual subiu 10%. Veja bem, 10% em UM ano. Enquanto a preferência pelos times se mantém estagnadas, e aumentos de um ou dois porcento são comemorados com champagne e charutos pelos times, temos um aumento incrível entre os que não estão nem ai para o esporte bretão.

    Veja bem, estamos falando de quase a METADE dos brasileiros. E, se somarmos os 9% que têm interesse pequeno, alcançamos os 50%.

    Completa esse cenário outro dado desalentador. Apenas 20% dos brasileiros praticam futebol e, mais grave ainda, apenas 20% têm o habito de frequentar estádios, sendo que apenas 10% vão aos estádio uma vez por mês ou mais. Ambos os totais vêm diminuindo ano a ano.

    Ou seja, resumindo, a coisa está cada dia mais preta.

  2. Acho que o único jeito de tentar ao menos começar a reverter esse quadro é criar condições melhores para os torcedores frequentarem os estádios – seja de infra-estrutura, segurança, preço dos ingressos etc.

    Só assim conseguiremos mostrar a diferença entre torcer por um time que você pode ver em campo, apoiar, comemorar com outras pessoas, e um que você só acompanha pela TV…

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