sábado , 15 dezembro 2018
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Técnicos estudiosos fazem diferença no futebol campineiro. Por que ainda somos apaixonados pelos boleirões?

Matéria publicada no jornal Valor Econômico disseca sobre a obrigatoriedade estipulada pela CBF do treinador com emprego na Série A encontrar-se formado nos cursos oferecidos pela entidade – veja a reportagem aqui

Profissionais admitem  a peneira que será realizada especialmente com os técnicos “boleiros”, formados sem embasamento. Vão perder espaço. Interessante é observarmos que já assistimos tal fenômeno no futebol campineiro.

Boa parte dos resultados colhidos nos últimos anos foram oriundos de gente sem medo de tirar o caderno da gaveta e incrementar o seu conhecimento.

Faça uma retrospectiva na Ponte Preta. Apesar do trato fácil e manejo na conversa com os jogadores, Gilson Kleina, herói do acesso de 2011 na Série B e vice-campeão paulista do ano passado, tem diversos cursos feitos no exterior e formação em nível superior.

Seu substituto foi Guto Ferreira, um estudioso, que além de frequentar os cursos da CBF, não pensa duas vezes para afivelar as malas e conversar no continente europeu com colegas de profissão que já convivem com a necessidade de dotar o escritório de muitas obras.

No Guarani, os estudiosos também dominam. Começa por Oswaldo Alvarez, o pioneiro na mudança de perfil do treinador brasileiro a partir da década de 1990. Não foi apenas o 3-5-2 do Mogi Mirim que encantou o país, e sim a sua obsessão em trabalhar com a psicologia do esporte e a atualização constante com as principais escolas do futebol mundial, também presente na Seleção Feminina de Futebol. Vice-campeão na Série B em 2009, segundo lugar no Paulistão de 2012…Os resultados positivos são claros e cristalinos.

Após sua saída, em 2012, o Alviverde viveu um período de seca. Quem retomou a trilha de vitórias? Marcelo Chamusca, vice-campeão na Série C de 2016. Gente com quem trabalhou não tem pudor em enumerar suas qualidades.

De acordo com esses profissionais, Chamusca é estudioso e utiliza todos os recursos disponíveis da tecnologia como números, dados, estatísticas, vídeos, treinamentos e  metodologias modernas. Em contrapartida, não pensa duas vezes em contar uma boa história para descontrair o ambiente.

Atual campeão na Série A-2, Umberto Louzer faz parte da confraria. Tem formação pela CBF e é meticuloso na formatação do treino, especialmente na formatação das linhas defensivas e da compactação. Tem bom trânsito com os jogadores, mas entra de cabeça no estudo e na busca incessante de informações para fazer a diferença, um quadro também presente no técnico interino da Ponte Preta, João Brigatti.

Incrível é verificarmos todos esses casos de sucesso e verificar que nem Puc-Campinas ou Unicamp estão integrados de corpo e alma ao cotidiano de bugrinos e pontepretanos. Cidade cuja capa para o mundo é a excelência do conhecimento e tem suas equipes de futebol de costas para o futuro.

Qual a moral da história? Por mais que os adeptos do futebol torçam o nariz (especialmente alguns ex-jogadores), os treinamentos e a metodologia de trabalho com a ciência sendo colocada para escanteio ficaram no passado.

Tal fenômeno precisa ser compreendido também por integrantes da imprensa e torcedores. Ser simpático, contar histórias, exercer papel de torcedor ou nutrir uma simpatia para angariar apoio nos microfones não resolve. Ou o futebol campineiro e brasileiro reconhece a importância do conhecimento ou ficaremos para trás. Sem perdão.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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