Análise: como a fissura por grifes e o namoro com o passado atrasam o desenvolvimento da Ponte Preta no gramado

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Nos últimos dias, as atenções estavam voltadas para Bruno Rodrigues. Com a sua recusa em permanecer e o assédio de Ceará e Cruzeiro, o jogador foi colocado no passado. Hoje, a mira está em André Luis, ex-atacante em 2018, hoje no futebol coreano e que teria sido procurado pela diretoria. Ou ele teria acionado seus representantes para sondar a Macaca. A noticia foi dada pelo João Lucas Dionísio no twitter.

Como de praxe, a Ponte Preta nega o interesse. Com os dois pés juntos.  Aqui no Só Dérbi não brigamos com a noticia. Jamais. Se o companheiro de profissão divulgou merece toda a credibilidade. Entretanto, a nossa missão é colocar a versão oficial.

Isso não impede de discutir um comportamento recorrente do torcedor pontepretano: a fissura, a tara, a obsessão de contar com uma grife, um jogador famoso. É uma fome que não cessa. Apodi e Camilo são insuficientes. Parece que existe uma crença de que currículo robusto ou status é garantia de sucesso.

Não é.

Longe disso.

O que é pior: a própria Ponte Preta já sentiu o dissabor na pele. Em 2009, a Ponte Preta tinha um sonho de consumo: Fabiano Gadelha. Atleta com passagem por Sport, Marilia, Náutico, ABC e Rio Branco (SP), quando chegou foi eleito como o condutor da travessia do deserto da Série B. Após 47 jogos, deixou um rastro de decepção.

Seis anos depois, as redes sociais pressionaram a diretoria da Ponte Preta para contratar Borges. Algo insuportável. Os comandantes cederam e a recíproca de Borges foi decepcionante. Saiu pela porta dos fundos.

Atletas como Renato Cajá, Elias, Ricardo Jesus, Weldon, Renatinho, Alexandro, Pablo, Luan,  Antonio Carlos foram no sentido contrário em sua primeira passagem. Chegaram com o ostracismo a tiracolo e saíram consagrados. Conquistaram o torcedor e entraram para história.

O que precisa acontecer para o torcedor pontepretano entender que não é o clube que depende do jogador e sim o contrário? O que justifica essa subserviência a querer contar com atletas que muitas vezes nem querem saber do clube e aparecem aqui sem compromisso nenhum?

Não descarto a volta de André Luis. No futebol tudo é possivel. Considero que, ao contrário de outros, se ele aparecer no Majestoso há chance de êxito. Por que ele conhece a agremiação.

Só que não há como negar: André Luis, hoje, outro direcionamento na carreira.  Não dá para descartar a hipótese que o olhar atual sobre a Ponte Preta é muito diferente do aquilo que ele nutria há dois anos.

Pergunto: vale a pena correr o risco? Prefiro que a Ponte Preta se baste. E que sua torcida cobre eficiência dos dirigentes nas contratações e evite aposta em grifes, que no fundo, colocam a Macaca sob risco de quebrar os seus cofres.

(Elias Aredes Junior)