Autoridade e credibilidade, os “craques” que estão no Departamento Médico do Guarani

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Existem duas palavras que norteiam o sucesso e o fracasso no futebol: autoridade e credibilidade. A primeira palavra tem como significado o direito ou poder de ordenar, de decidir, de atuar, de se fazer obedecer. Quanto a segunda expressão podemos traduzir como um atributo, qualidade, característica de quem ou do que é crível. Credibilidade é a tradução literal de confiabilidade. As pessoas não enxergam ou não aceitam mas o Guarani passa por uma crise que afeta diretamente estes dois conceitos.

Podemos afirmar que existe uma crise de crebilidade porque apesar de ter o apoio do Conselho Deliberativo e de boa parte dos associados, é fato que a torcida não confia ou acredita naquilo que diz o Conselho de Administração representado pelo seu presidente Ricardo Moisés.

Não acredita não por aquilo que Ricardo Moisés fala mas por aquilo que deixa de falar. Ou declarações lacônicas que pouco acrescentam ao debate público. Ricardo Moisés certamente é um dos presidentes com menor presença na mídia das Séries A e B. Dos outros integrantes do Conselho de Administração, o quadro é ainda pior: ninguém fala, ninguém esclarece, ninguém conversa com a comunidade bugrina. Tanto que este cenário gera algo insólito.

O Guarani na atualidade não tem como seu representante institucional o seu presidente ou Superintendente Executivo de Futebol. Quem representa de fato e de direito o Guarani junto ao torcedor é o treinador que ocupa o banco de reservas. Treinador que atua no Guarani fala todo santo jogo. Pior: se toma uma goleada ou uma derrota marcante não existe um dirigente sequer para dar respaldo. Daniel Paulista sentiu isso na pele nos 58 jogos que dirigiu o time. O próximo comandante terá igual dissabor. Convenhamos: é cômodo aos dirigentes. Mas produz um caldo de corrosão na credibilidade que é dificil de reverter.

Mas a fissura na credibilidade não é o único problema. A impressão transmitida pelos dirigentes ao público é que não existe postura assertiva quando os problemas acontecem no Guarani. Ou seja, falta autoridade.

Como observou de maneira inteligente o jornalista Ronie Romanini no debate realizado pelo portal Só Dérbi no ultimo domingo, dia 08 de maio, todos os treinadores que passaram pelo Guarani nos últimos anos sempre sairam com especulações de que tinham problemas de relacionamento no vestiário e com os dirigentes. Foi assim com Thiago Carpini. O boato foi reforçado quando Felipe Conceição saiu para assumir o Cruzeiro. A cena foi repetida quando Allan Al dava as cartas no Brinco de Ouro e ressurgiu agora com a saída de Daniel Paulista. Diagnóstico: todos os treinadores são engolidos pelo vestiário.

Verdade? Mentira? Especulação? Díficil. Mas a ausência de transparência existente no Guarani em relação as informações fornecidas à torcida, só reforçam esta linha de pensamento.

Sem contar que outro sinal preocupante é emitido: o poder dos jogadores dentro dos destinos da instituição.

A “República da Boleiragem” toma protagonismo como regime de governo no Guarani. Jogador deve ser consultado? Sim. Atleta de futebol deve debater o trabalho do técnico e determinadas decisões da instituição. Concordo plenamente. Isso não autoriza de imediato a concessão da decisão final aos jogadores. Isso é a cargo dos dirigentes.

E que ninguém venha rechaçar a teoria. Existem sinais de que a República da Boleiragem está em vigor., seja na postura dos atletas nas coletivas ou na ênfase da diretoria em querer emplacar Ben Hur Moreira como técnico. Pedido negado pelo profissional, diga-se.

Não é um bom caminho. Existem exemplos de que quando se permite a instalação de um regime anárquico comandado pelos atletas o final é trágico. No ano passado, o Grêmio dispensou Renato Portallupi e a partir deste instante nada foi feito sem consultar os principais líderes do elenco. Tudo era feito em concordância com quem entrava no gramado. Os dirigentes ficaram submetidos a tais ordens. Fruto colhido: rebaixamento à Série B.

O Guarani não pode cair nesta armadilha. Tem que fazer de tudo para reconstruir a sua credibilidade, reconstruir a autoridade e demarcar direitos e deveres dos jogadores. Sem essa receita simples e direta, todo o jogo será um suplício até a 38ª rodada.

(Elias Aredes Junior com Foto de Thomaz Marostegan-Guarani F.C)