Guarani: quando a humildade entra em campo, não há obstáculo que seja impossível

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O Guarani conseguiu o que para muitos era impossivel: venceu o Cruzeiro. Com forte linha defensiva, espirito solidário e um toque de talento de Giovanni Augusto para colocar a bola na cabeça de Matheus Ludke.

São três pontos preciosos e que produziu um efeito prático. O Guarani tem 17 pontos e vai disputar 33 pontos em casa. Se ganhar de 28 a 30 pontos escapa do rebaixamento. É muita coisa? Concordo. Mas o Guarani depende apenas de suas forças para permanecer na Série B. Não é pouco.

Entretanto, penso que um tema não deve ser esquecido.

Vamos recapitular: o Guarani montou um elenco limitado. Muito limitado. Muitos zagueiros acima dos 30 anos, escassas opções no trabalho de armação e uma debilidade técnica que fazia com que o ocupante no banco de reservas fizesse malabarismos. Pior: a direção do Guarani- leia-se Conselho de Administração e Superintendência Executiva de Futebol- acreditavam de que era possível atuar de maneira ofensiva com esse time.

A impressão que ficava era de que a direção defendia e o imponderável e que Daniel Paulista tentava fazer de tudo para convencer as pessoas que os cuidados defensivos eram urgentes e necessários. Lembre-se que em alguns jogos na temporada, Daniel Paulista atuou com três volantes e na tão celebrada partida contra o Corinthians, Nicolas Careca virou destaque muito mais por sua atuação defensiva pelos lados do campo do que por alguma peripécia no gramado.

Daniel Paulista foi embora e podemos falar de maneira clara: Marcelo Chamusca botou o time para agredir e atacar. E tomou um vareio. O time não viu a cor da bola. O time ficou desencontrado e o ápice foi a derrota para o Ituano, antecipada por uma bronca fora de hora e de tom do presidente Ricardo Moisés.

Veio Mozart. Que não é nenhum estrategista ou alguém fora do padrão dos técnicos que atuam na Série B. Mas ele trouxe um atributo fundamental: realidade. Mesmo que inconscientemente, ele  não comprou o discurso delirante que reinava no Brinco de Ouro. O time é limitado. Ponto. É com essa realidade com que trabalhou.

E desde o primeiro jogo contra o CRB, o que se viu foi um Guarani bem posicionado. Com jogadores próximos uns dos outros, em toques curtos e tentando evitar o erro de passe. Nada de ligação direta ou chutão.

Ficar com a bola foi a maneira encontrada para se defender e ainda preservar o sistema defensivo, cujo as atuações de João Victor e Derlan surpreenderam os seus mais severos críticos. Sem contar a proteção de Leandro Vilela na cabeça de área.

A fórmula é imbatível? Sabemos se o Guarani vai sobreviver até o final da Série B? O elenco do Guarani poderá mostrar um potencial excedente ao que já mostrou? A incerteza campeia as respostas para todas estas perguntas. O empate com o CRB e a vitória contra o Cruzeiro tanto podem ser o inicio da redenção como apenas um espasmo, um lampejo de um time limitação e de um elenco mal montado.

Mas lições ficam. E não vale somente para o futebol como para as outras áreas da vida do clube. A humildade precisa ser camisa 10. Os dirigentes precisam colocar na cabeça de que o Guarani vive um novo momento de sua história. Precisa conquistar o seu espaço passo a passo. Com metodologia consistente e com metas de curto, médio e longo prazo.

Lidar com a realidade é uma atitude de respeito com a torcida. Quando a gente sabe para que direção queremos caminhar, os frutos a serem colhidos são os melhores possiveis. Mozart pode até fracassar ,mas já deixou um legado conceitual. Os inteligentes e humildes aprendem. Que a tolice não retorne.

(Elias Aredes Junior-Foto de Thomaz Marostegan)