Campinas conhece realmente o torcedor do Guarani e da Ponte Preta? Leia e veja que não estamos nem no começo do caminho

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Este artigo não tem o objetivo de promover uma caça às bruxas. É uma reflexão. Um alerta. De como Ponte Preta e Guarani, símbolos da cidade de Campinas, refletem os nossos equívocos, refletido nos cronistas esportivos, meios de comunicação e dirigentes. Temos uma visão  incompleta do que significam as agremiações para seus adeptos.

Quando as pessoas dizem que a mentalidade de parte da crônica esportiva e dos dirigentes ainda encontra-se na década de 1980 ou 1990 não é apenas uma visão de administração ou condução de elenco. É ignorar que Campinas hoje é uma outra cidade. Uma metrópole. Com desafios e pensam que tem uma visão diferenciada da vida e do uso da cidade. Automaticamente que isso seria refletido nos dois clubes.

Vivemos como se Campinas ainda fosse a cidade apenas e tão somente com o Jardim Proença, Vila Marieta, Swift, São Bernardo ou vai lá, da Vila Boa Vista. Nossa visão castradora tem olhos para as opiniões e ideias de quem reside nos bairros acima ou na Nova Campinas, Souzas, Barão Geraldo, Cambuí ou que frequenta a Hipica ou o Tênis Clube. Nada contra. Mas não podem monopolizar as opiniões.

E a região do Campo Grande? E o Ouro Verde? E os bugrinos e pontepretanos que residem no Satélite Iris ou no Campituba? Será que eles pensam, sentem e vivem os dois clubes da maneira idêntica de quem está em locais tradicionais da cidade de Campinas e que, de certa forma, tem uma visão enraizada e fixa, ou seja, não vai mudar? Reflita.

Presto serviços jornalísticos para uma entidade sindical. E sinto falta do convívio de funcionários como o Alex e Zé Roberto. São pontepretanos, mas acima de tudo moram e residem em bairros populares de Campinas. Conversava horas com eles sobre Ponte Preta e Guarani e muitas vezes, as ideias e conceitos dessas pessoas me faziam refletir.

Mudar o rumo das visões que emitia das minhas tribunas. Por que? Por que eles estão em conexão com as arquibancadas. Com o povo. A massa. Era o elixir que me evita cair nessa visão ora elitista, ora classe média (pelo lado negativo), que trata jogador como prestador de serviço ou que deseja o estádio com poltrona de padrão de cinema.

Não que o povo queira frequentar estádios sujos e mal cuidados. Nada disso. O que os bugrinos, bugrinas, ou pontepretanos e pontepretanas  residentes da periferia o que eles, na verdade é bem mais simples do que parecem: é sentar em um estádio, vibrar com um time competitivo, vibrar com a vitória do seu time e depois passar no boteco para tomar uma cerveja, comer um tira gosto e depois voltar para casa, dar um beijo em que se ama e ganhar energia para um novo dia.

Vai revolucionar o futebol campineiro o dirigente capaz não só agradar aqueles que querem frequentar a arquibancada de fraque, mas que desperte a paixão daquele que bate cartão ou depende de uma jornada de 12 ou 14 horas dentro de um veículo com aplicativo para sobreviver.

Ponte Preta e Guarani é uma dupla de todos. Independente do local em que residem. E isso precisa ser refletido no cotidiano, sob pena de uma morte lenta e gradual de dois símbolos do futebol brasileiro.

(Elias Aredes Junior)