Em entrevista, infectologista analisa surto de Covid-19 no Guarani e pede punições mais severas aos jogadores que não cumprem as regras

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Infectologista vinculada a Unicamp e também á Sociedade Brasileira de Infectologia, Rachel Stucchi não tem meias palavras para definir o quadro vivido no Guarani. Apesar de ressalvar que não conhece profundamente a situação, ela faz questão de demonstrar espanto com o registro de 17 casos. “Para registrar a presença de 17 contaminados é porque houve uma quebra total de protocolo”, disse a médica.

O fato provoca a sugestão de uma medida drástica em relação aos atletas, que já receberam informações e orientações. “As pessoas são esclarecidas e receberam toda a informação necessária. Se posteriormente ocorre um surto deveria ocorrer punição. Tem que suspender dos jogos e descontar no salário. Se for pelo amor tem que ser pela dor”, disse a médica, que aprovou a medida do Fortaleza, que suspendeu o armador João Paulo (Ex-Ponte Preta) por tempo indeterminado.

Na sua visão, os jogadores precisam tomar consciência da gravidade da situação e prestar atenção nos ambientes com alto grau de contágio. “Os atletas não podem se expor em ambientes fechados e com pouca ventilação. Isso é no vestiário, um culto ou mesmo um pagode com aglomeração e com pessoas falando alto”, afirmou a médica vinculada a Unicamp.

O protocolo da CBF, para ela, necessitaria de alguns ajustes. O principal seria que todas as pessoas que tiveram contato com algum paciente com diagnóstico de Covid-19 nos últimos cinco dias antes do resultado do exame deveriam ficar isoladas por um período de 14 dias.”Uma pena que a CBF não acate isso”, disse.

Estudos mostram ainda que o tempo de exposição e presença nos ambientes fechados também faz diferença de acordo com a infectologista. “Estudos demonstram que pessoas que ficam em ambientes fechados em um tempo superior a 15 minutos tem maior risco de contrair o vírus”, completou.

(texto e reportagem: Elias Aredes Junior)