Vadão e o seu aniversário: que Deus lhe abrace no céu por mais um ano de vida

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Tenho alguns defeitos. Sou humano. Um deles é possuir uma memória horrorosa para datas e escalações de times. Sou péssimo em discussões que envolvem jogadores do passado e meus amigos por vezes reclamam que esqueço de aniversários e passagens importantes.

Por saber de antemão disso, acredito que minha alma desenvolveu uma fé inabalável em Deus. Porque Ele compreende e nos redime. Creio no seu poder, na sua divina consolação e como ele fala com meus filhos. Não é algo místico. E que  não tem explicação.

No final da noite de ontem, a mente foi invadida por um pedido incontrolável: saber como andava Carolina Alvarez, a filha de Vadão. Já fazia isso de vez em quando. Não tinha intenção de invadir a intimidade de ninguém. Só que acredito de que amizades sinceras e verdadeiras produzem frutos. Amor ágape, aquele feito por Deus. E fiz. Por volta das 22h50 enviei uma mensagem. Em certas ocasiões, a gente não pede explicações. A gente faz. Ponto.

Dia renovado, trabalho à vista e a resposta veio minutos antes de começar o Brasil Esporte Clube desta sexta-feira. Por uma conversa de Skype, o companheiro Daniel Lessa disse antecipadamente que o destaque seria relembrar e homenagear Vadão, que neste dia faria aniversário.

Fiquei em silêncio. Reverencial. Primeiro por ficar satisfeito que o Lessa tenha relembrado de uma pessoa especial. E porque naquele simples diálogo talvez Deus tenha dado o recado que me faltava e invadiu meu coração. “Não esqueça dele e nem deles”.

Talvez este não seja o meu texto mais bonito ou rebuscado. Provavelmente você não terá nada para aprender daquilo que você leu até aqui. Não precisa. Relembrar Vadão e do seu aniversário não tem que ser um instante de tristeza e nem de saudade. E sim de uma alegria pelo fato de Deus  ter proporcionado a dádiva de termos convivido por tanto tempo com uma pessoa diferenciada.

Alguém que acreditava no futebol puro, ofensivo, dotado de sonho e de envolvimento humano. Uma pessoa que defendia que jogadores não eram máquinas e sim pessoas de carne e osso. Ele, uma presença viva da gentileza, da bondade, daquilo que deveria ser uma pessoa do sexo masculino. Voz doce, inclusiva. Que acalmava. Amigo dos amigos.

Vivemos em um mundo de estupidez, grosseria, violência. Em que a violência é utilizada como matéria prima. Pessoas como Vadão eram diamantes que brilhavam e ofuscavam espíritos sombrios e sem rumo.

A aposta era de que essa luz nunca apagaria. Deus quis este brilho ao seu lado. Agora, cabe nós apenas caminhar e relembrar de quem nos dava a mão e nos fazia acreditar de que a humanidade valia a pena. Feliz Aniversário Vadão. E que o criador lhe abrace por mais um ano de vida. Porque você morreu. Está vivo ao lado de Deus e no coração de todos que lhe amavam.

(Elias Aredes Junior)