Análise Especial: como explicar a “blindagem” vivida por Hélio dos Anjos na Ponte Preta?

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Hélio dos Anjos tem 27% de aproveitamento no comando da Macaca.

Aproveitamento decepcionante. Em nenhuma das 12 partidas em que dirigiu a equipe a performance foi satisfatória. Poucos foram os lances em que o torcedor suspirou de alegria e satisfação.

Tem nas suas costas o rebaixamento a Série A-2 do Campeonato Paulista. Em qualquer outra conjuntura, o treinador já seria fritado e defenestrado do estádio Moisés Lucarelli. O que acontece? Porque os torcedores não lhe colocam culpa total pela má fase pontepretana?

Aliás, é interessante que sempre observamos o mesmo argumento por parte dos torcedores: o time corre demais, luta os 90 minutos, mas ele é limitado. Nesta frase está a explicação para a blindagem degustada por Hélio dos Anjos. Para o torcedor pontepretano, o culpado pelo desempenho irregular na Série B do Campeonato Brasileiro é da Diretoria Executiva, ou do  presidente Marco Antonio Eberlin.

E por qual motivo? Porque ele nunca escondeu de ninguém de que ele é o responsável pelas contratações e a montagem do elenco. Ao dispensar a presença de um executivo de futebol e destinar apenas funções internas para o coordenador de futebol, Luis Fabiano, o presidente pontepretano coloca-se na linha dos criticos para ser malhado.

Os criticos tem razão? Evidente que os defensores de Eberlin vão enumerar diversos fatores que atrapalham o desenvolvimento de um bom trabalho. Especialmente o sucateamento da infra-estrutura do clube, que exigiu investimento para viabilizar reformas e as lutas na Justiça que produzem bloqueios de contas bancárias e dificuldades para a Macaca quitar seus conflitos.

Basta citar o processo que envolve o ex-técnico Doriva e agora a ação que corre em segredo de Justiça movido por um ex-presidente e que pede a bagatela de R$ 80 milhões. Os argumentos são factíveis e plausíveis.

Dois pontos devem ser colocados: o primeiro é que todos do atual grupo político sabiam que isto poderia acontecer devido a situação anterior conduzida por Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho. E o segundo ponto é que algumas escolhas para a montagem do elenco tanto para o Campeonato Paulista como para o Brasileiro são de responsabilidade única e exclusiva de Eberlin. Ele pode até considerar que ele não tem qualquer erro no cartório, mas essas escolhas produziram consequências danosas.

Dou exemplos: a contratação de Fabrício foi de sua e inteira responsabilidade, assim como do zagueiro Dedé, hoje no Athlético-PR e que teve erros fatais que levaram a Macaca ao desastre. Quanto a Fabricio, os jogos falam por si. Limitado. Lento na velocidade. Deficiente no um contra um. Ou seja, desastre total. Em tempo: o jornalista que escreve este artigo também acha Fabricio uma ótima opção. Quebrei a cara.

Na formação do elenco, a resolução de apostar em atletas com pouca possibilidade de retorno técnico e físico, como Wesley e  em jogadores que por vezes não demonstram vibração no gramado, como Matheus Anjos, são cenários que só acontecem porque Eberlin avalizou tais opções. Ninguém mais.

No setor de meio-campo, reconheço que o atual presidente tentou opções de criação de meio e elas fracassaram pela questão financeira ou por questões burocráticas, como o caso de Bismark.

No ataque, fica evidente que muitos coadjuvantes foram contratados e nenhum protagonista. Resumindo: ninguém balança a rede. E mesmo Lucca, é um coadjuvante de Luxo, que só ganha relevância por causa da debilidade dos companheiros para concluir a gol. Coincidência ou não, Lucca foi artilheiro com 13 gols na campanha fatídica na divisão de elite do Brasileirão.

Neste contexto, o torcedor adquira todo este contexto e pergunta: quem contratou? Quem trouxe? Pois é. Marco Antonio Eberlin. Responsabilidade total dele. Para bem ou mal.

E por todo o contexto que cerca as disputas políticas na Ponte Preta, dá para dizer com segurança que não existe cargo mais espinhoso e vantajoso do que ser técnico da Ponte Preta. Espinhoso por precisar dar padrão de jogo a um time limitado e sem recursos técnicos. Vantajoso porque sabe que a culpa sempre vai recair sobre o presidente do clube, a cada dia que passa engolido pelos seus próprios erros e equivocos e por uma guerra política travada nas redes sociais cuja a única vítima é a própria Associação Atlética Ponte Preta. Muito triste.

(Elias Aredes Junior-com foto de Álvaro Júnior-Pontepress)