Emerson e Abner: exemplos de como a Ponte Preta desperdiça oportunidades para subir de patamar no futebol brasileiro

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O anúncio da Seleção Brasileira olímpica nesta sexta-feira teve novidades conhecidas dos torcedores campineiros. Primeiro, o lateral-direito Emerson, pertencente ao Barcelona, mas atualmente no Bétis de Sevilla. Abner, do Athletico-PR, foi outra cara que recebeu a chance de lutar por uma vaga nos jogos de Tóquio.

Defensores afoitos do grupo político que comanda a Ponte Preta desde meados de 1996 vão dizer que estes jogadores são a comprovação da excelência das categorias de base, ao lado de outros atletas como Ravanelli. Pois eu digo: os dois atletas são a comprovação da ineficiência da Alvinegra em produzir saltos de qualidade em sua história.

Emerson foi formado na Macaca e, após participações na divisão de elite do Brasileiro de 2017, foi vendido ao Atlético Mineiro por R$ 5 milhões em 2018. Ato contínuo, seu futebol atraiu atenção de clubes europeus e ele foi vendido ao Barcelona por aproximadamente R$ 50 milhões. Como a Ponte Preta tinha direito a um percentual em caso de revenda, a Macaca faturou mais um trocado ainda não divulgado nos dias atuais.

Abner? O Athletico-PR pagou a multa de R$ 10 milhões prevista em contrato e levou o jogador.

Quero chamar atenção para um detalhe: os dois jogadores viabilizaram quantias consideráveis aos cofres da Ponte Preta. Acima de R$ 15 milhões se somarmos as duas transações. Isso produziu melhoria na estrutura do clube? Modernização física? Existe um CT moderno ? Ou só para apagar incêndios na parte financeira? Nem preciso dizer qual o caminho escolhido…

Enquanto isso, o Mirassol aproveitou a negociação do atacante Luiz Araújo ao Lille, da França  para investir R$ 6 milhões na construção de um CT  em uma área de 1,5 mil m², às margens da rodovia Euclides da Cunha (a SP-320, que liga a região de São José do Rio Preto a Mato Grosso do Sul). Luiz Araújo foi vendido em 2017 por € 10,5 milhões (R$ 38 milhões).

O São Paulo, dono de 70% dos direitos do atleta, ficou com R$ 26,6 milhões. O restante (R$ 11,4 milhões), correspondente a 30%, foi para os cofres do time do interior paulista. Ou seja, em quatro anos, o Mirassol aproveitou o dinheiro de uma venda para buscar um novo patamar. O saldo é inegável: semifinalista pelo segundo ano seguido e integrante da Série C do Brasileiro. E com ambição de chegar mais longe.

Enquanto isso, no mesmo espaço de tempo, a Ponte Preta arrecadou um valor superior com dois jogadores e não saiu do lugar. Triste.

(Elias Aredes Junior)