Guarani: o presente é aflitivo; o futuro é tenebroso. Como sair dessa?

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Nos últimos dias, o Guarani gerou todo tipo de debate e discussão. Os 90 minutos e o empate sem gols contra o CSA foram suficientes para chegarmos a uma triste conclusão: não há esquema tático que dê jeito. O elenco é muito ruim.

E quando digo ruim é em todos os sentidos. Caracteristicas dos jogadores, opções disponibilizadas ao treinador para mudar o jogo, talento de decisão dos atletas. O desastre é amplo, geral e irrestrito.

E vou além: o Guarani só não é um candidato definitivo ao rebaixamento porque o campeonato é de um nível técnico deplorável. Então, um pouco de boa vontade e um mínimo de organização pode assegurar a manutenção na Série B. Mas você acredita que essa reviravolta poderá acontecer?

Quando atuou no primeiro tempo, o time piorou em relação ao jogo contra o Novorizontino. Zagueiros lentos, perdidos e mal posicionados eram uma presa fácil para o ataque do CSA, que só não saiu na frente devido ao designo do destino. Veio o segundo tempo, o time retirou um dos zagueiros, colocou Júlio César e teve mais volume de jogo.

E aí você pode alegar que o time jogou bem. Eu respondo: não! Sustento meu argumento em cima de um dado real: o Guarani atuou em 28 jogos na temporada. São 13 jogos do Paulistão, outros 13 confrontos na Série B e dois embates na Copa do Brasil. Pois o Guarani passou em branco em 12 desses 28 jogos. Ou 42,85% do total.

Ou seja, se o Guarani tivesse passado em branco em 5 partidas, poderíamos até entender que a falta de produtividade era um acidente de percurso. Não. É uma caracteristica do time.

Independente do esquema tático, o ataque é fraco, inoperante e incompetente. Basta dizer que diante do Novorizontino foi o primeiro jogo em que o time marcou dois gols. Pouco. Muito pouco. Quase nada.

Eu, você, qualquer torcedor sabe o diagnóstico.

Qual a solução?

Não quero desempenhar o papel do pessimista inconsequente, mas eu também estaria aqui no papel de enganador ao dizer que existe alguma saída.

Com estes jogadores e com essa filosofia de futebol, só um milagre ou uma reviravolta tremenda fará o Guarani dormir fora da zona de rebaixamento ao final do primeiro turno. E até ao final da competição.

O futebol é imprevisivel? sim. Apronta surpresas? Concordo. Só que não existe uma área de vida em que as consequências são tão sentidas como no futebol.

Basta pensar um pouco. Equipes com o perfil financeiro do Guarani não pode se dar ao luxo de errar nas contratações de inicio de temporada. E o Guarani errou. Muito. Absurdamente. Contratou muitos zagueiros acima dos 30 anos e lentos na velocidade; volantes sem qualidade técnica e incapazes de realizar a armação do jogo. Atacantes sem poder de conclusão.

Basta dizer que Lucão do Break saiu de uma desconfiança absoluta para um protagonismo absoluto em 2022. Como considerar de que isso pode dar certo? Jornalista não tem obrigação de adotar discurso motivacional. De querer exercer o papel de Lair Ribeiro. Ou de às vezes vislumbrar horizonte em um local em que só existem pedregulhos. É melhor lidar com a verdade do que casar com a mentira e gerar a ilusão tóxica.

E veja: o final de turno poderá agravar ainda mais a situação do Guarani. O Alviverde jogará fora de casa contra Londrina, CRB e Chapecoense e receberá no Brinco de Ouro o Ituano e faz dois jogos subsequentes contra Cruzeiro e Bahia e encerra fora de casa contra o time catarinense.

No returno, os mandos serão invertidos e na reta a equipe terá dois jogos fora de casa contra o Cruzeiro, virtual promovido e diante do Bahia, hiper postulante ao acesso. Ou seja, o quadro é mais grave do que se imagina.

Moral da história: Ricardo Moisés e Michel Alves podem levar o Guarani a um quadro irreversível. O time não ajuda e a tabela é um convite ao abismo. Infelizmente. Quem planta colhe. E a semente jogada pelo Guarani é absurdamente daninha. E envenena dia após dia o seu torcedor.

(Elias Aredes Junior-Com fotos de Luciano Claudino)