Ponte Preta 0 x 0 Chapecoense: perguntas e respostas para explicar um período de trevas e de sombras

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Pobre o jornalista que não leva em consideração as opiniões coerentes e sólidas do torcedor cordato e cavalheiro. Confesso que não sabia como descrever mais uma atuação pífia da Ponte Preta no empate sem gols contra a Chapecoense, nesta terça-feira, no estádio Moisés Lucarelli. Basicamente seria escrever mais do mesmo. E peço desculpas pela ausência das notas. Seria a repetição de vários sambas de uma nota só. Todos desafinados.

Eis que logo após o final do jogo aparece uma contribuição valiosa. Ricardo Goulart, que acompanha este site há muito tempo e que é torcedor fanático da Alvinegra encaminhou questões pertinentes. Vou respondê-las. Vale muito mais do que qualquer descrição de jogo.

1) Se Brigatti tivesse este desempenho após um rebaixamento ele seria prestigiado igual ao Hélio dos Anjos?

R: Não, não seria. Certamente seria demitido de modo sumário. Hélio dos Anjos tem um fator a seu favor: é adepto da escola antiga do futebol e tem o filho para dar o tempero da Ciência do Esporte. Algo que é da preferência do presidente Marco Antonio Eberlin. Mas dá para segurar tal predileção sem resultados? Pois é. Eis a questão.

2) Se Gustavo Bueno dirigente tivesse montado esse elenco e com esses resultados o que teria acontecido? .

Já estaria com a cabeça a prêmio com certeza. Como foi o presidente Marco Antonio Eberlin que montou o time e não vem dando resultado fica a pergunta: o Conselho Deliberativo acha tudo normal? Não vale a pena um diálogo para entender o que acontece? Por que não dá certo? A Diretoria Executiva vai alegar sobre o quadro financeiro. Inclusive a ação milionária movida por um ex-presidente. Ok, tudo real. Mas não há saída. Não seria salutar o Conselho Deliberativo trabalhar junto por uma solução?

3) Se o Presidente e Luis Fabiano entendem de futebol , porque viabilizou tantos jogadores sem condições de vestir a camisa da Ponte Preta?

Essa é fácil de descobrir a resposta: falta dinheiro. Bloqueio de ativos. Dividas a serem pagas. Com dinheiro curto, contrata-se aquilo que está disponível. Bem, mas aí fica a pergunta: com recursos parcos, não seria salutar a montagem do time com busca maior de criatividade? Fica a reflexão.

4) Como os gestores que cuidam do futebol não contrataram nenhum jogador com 10 gols no ano. Aliás nunca fizeram 10 gols em nenhuma temporada como profissional.

Pois é. Tem apenas o Lucca com poder de fogo. Uma andorinha só não faz verão. Aliás morre de calor e de fome na estação. Ou na grande área. 

5) Se a Diretoria entende tanto de futebol , porque não pensaram em um meia e um atacante fazedor de gols?

Hélio dos Anjos já respondeu em entrevista coletiva anterior que tentaram dois jogadores do Paysandu para tais posições. Fracassaram. Mas cabe a pergunta: não existia possibilidade de realizar uma pesquisa mais pormenorizada para buscar outras opções? Seria o correto. A presidência pode responder: não tem dinheiro. E o torcedor responde: até quando teremos que ouvir estas respostas?

6) Se não tem dinheiro ou melhores condições porque não olharam para os destaques ofensivos das Séries A2, A3 , Série C e D do ano passado? Ou sempre ficamos com o restos dos clubes?

É uma pergunta pertinente. Que mereceria o devido esclarecimento.

7) A situação todos sabiam (do MRP). Mesmo assim aceitaram o desafio. Se não consegue trazer dignidade ao time pede para sair

Esse é o único ponto que discordo do Ricardo Goulart. Voto para mim é sagrado. Está ruim? Sim, está. Péssimo. Injustificável. Mas não é trocando de comando a cada seis meses que isso vai se resolver. E como se resolve? Com o associado da Ponte Preta sentindo a consequência do voto dado. E se o time cair de patamar ao final do mandato? Simples: elege-se a oposição, que chegará mais respaldada. E a atual gestão que mova mundos e fundos para fazer jus ao voto.

.😎 Cadê alguém com uma solução?

Este é um drama: a renovação de quadros políticos na Ponte Preta. Não existe. Ou está em marcha lenta. A Ponte Preta precisa de um Paulo Nobre. Alguém com ideias arejadas, modernas e que esteja acima do MRP e do DNA Pontepretano. Aviso: hoje esta pessoa não existe. E não sei quando vai aparecer. Se é que vai aparecer.

9) Vamos viver para sempre criticando o grupo do Carnielle que estava no poder. Ou criticar pelo legado deixado. As mudanças são apenas no power point?

A atual gestão é desastrosa no futebol. Decepcionante ao extremo. O rebaixamento na Série A-1 do Paulista é uma ferida na alma do pontepretano. Mas é preciso ter uma visão macro. Pergunte a qualquer campineiro consciente se ele esquece das gestões catastróficas de Chico Amaral (segundo mandato), Izalene e a confusão gerada no segundo mandato do doutor Hélio. A gente só conserta o rumo das instituições se tivermos uma percepção histórica do que aconteceu. Não para isentar um lado ou condenar ou outro. Mas para fazer uma leitura dos erros, acertos, processos e com isso evitá-los no futuro. Talvez este seja o principal erro da Ponte Preta: ela sempre esquece quem errou no passado. Dou exemplos práticos. A gestão de 2017 deixou dívidas. A gestão de José Armando Abdalla Junior foi desastrosa. A de Tiãozinho também. Como está sendo a de Marco Antonio Eberlin. Vamos esquecer as outras? Não. Todos merecem críticas. Fortes. Contundentes. Cobranças. E quem está na cadeira de presidente no presente deve lutar para construir algo melhor e duradouro. Evitando os vacilos e erros do passado.

10 ) Ponte não consegue trazer nenhum desconforto a nenhum adversário. As 2 vitórias foram porque o adversário conseguiu ser pior

Tem total razão. Apesar de um lampejo e ali, quem ajudou a Ponte Preta a vencer CRB e Brusque foi o acaso.

11) 27% de aproveitamento e satisfatório ? É muito insatistatório. É horrivel. Culpados? O presidente Marco Antonio Eberlin que reformulou o time e o técnico Hélio dos Anjos. Que eles encontrem uma saída. Antes que seja tarde demais.

Adendo final: os defensores da atual diretoria merecem todo meu respeito. Assim como os da oposição. Mas para quem está no poder ao invés de reclamar do analista tomem apenas uma medida: melhorem!

(Elias Aredes Junior-com foto de Álvaro Junior-Pontepress)