Ponte Preta e Roger: todos estão surdos!

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A polêmica saída de Roger da Ponte Preta traz à tona, mais uma vez, a falta de maturidade dos envolvidos (ou a falta de maturidade do futebol, no geral). Inclusive a do torcedor. Vejam só. Esse mesmo torcedor que manda currículo estando empregado, que negocia aumento salarial, que quando está na fila do supermercado, sendo o último, não pensa duas vezes para pular para o caixa ao lado que acabou de abrir (preferência deveria ser de quem estava na fila há mais tempo), quer agora bater no peito e dizer que o jogador não tem moral porque aceitou uma oferta melhor de emprego.

Pior. O discurso é sempre um “eu até entendo, mas …” “deveria ter esperado o campeonato acabar” “deveria respeitar a família dele que é pontepretana” “ deveria isso e aquilo”.

A verdade é que a maioria de nós não costuma rejeitar boas oportunidades apenas por “amor à camisa”. Muitos não são fieis nem nas relações amorosas, onde pressupõe-se, é uma condição, porém se acham no direito de cobrar que o atleta do time “honre a camisa”.

Não gente! Futebol é mais do que isso.

É chato que o Roger tenha saído. É. Mas é o mercado. O que é chato mesmo é ver essa troca de farpas desnecessária entre torcida, diretoria e atleta.

A diretoria deveria ter sido superior. O cara tem contrato até o final do ano. Que cumpra. Convoca uma coletiva, diz que, no momento, não priorizou a contratação do atleta, diz que não entendeu ser importante compensar a oferta do Botafogo, mas que espera que o atleta faça seu melhor nas atuações que lhe restam no clube.

Pronto.

O Roger? Deveria ter feito o mesmo. Todo mundo deveria entender que a carreira dele está na reta final. Todo mundo deveria entender que, além de ganhar mais, ele considerou que o desafio de jogar no Rio lhe faria bem. E ponto final. Ele não assinou com o Bota porque a Ponte o dispensou. Ele assinou porque quis.

Agora o torcedor tem que parar de achar que futebol é um mundo a parte. Que ele pode xingar a torcedora do seu time após ela manifestar apoio ao atleta e pensar que isso não é machismo. Ou que não é machista quando chama a “bandeirinha de gostosa”. Tem que parar de achar que chamar o jogador do outro time de “macaco” não é racismo. Ou entender que, se o árbitro erra para o nosso time é “sorte” ao mesmo passo que, quando acontece para o rival, é roubo.

Futebol não é um mundo a parte. Se você é grosseiro nas arquibancadas é porque, em algum momento, no seu cotidiano, você repete isso. E se você acha que só a sua carreira pode ser pensada e planeja , você, além de tudo, é um tremendo egoísta!

(artigo escrito por Adriana Giachini)