Análise: novo técnico da Ponte Preta e o efeito devastador da comparação

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Não existe nada mais destrutivo para um ser humano do que quando ele é vitima da comparação. Suas qualidades são minimizadas, seus defeitos são superdimensionados e o julgamento caminha para a condenação. Pode fazer tudo aquilo que estiver ao seu alcance. A sentença está definida. Sim, é isso que enfrenta o novo técnico da Ponte Preta, Felipe Moreira.

Ele assumiu o cargo depois de um trabalho vitorioso de Hélio dos Anjos.

Um trabalho que arrastou multidões na Série A-2 do Campeonato Paulista e que culminou com o título. Lógico, ninguém ganha sozinho. Mas Hélio virou o símbolo daquela conquista. Uma conquista marcada por uma marcação feita já na linha de defesa do adversário e com um meio-campo focado em levar a bola com rapidez ao ataque. Um esquema tático com Matheus Jesus adiantado, pronto para concluir a gol. Além disso, um periodo com lançamento de muitos jogadores originários das categorias de base.

Ok, fulano pode ter descoberto, ciclano vaticinou o trabalho, mas a face do sucesso ficou com Hélio dos Anjos. O homem que cobrava a beira do gramado, enlouquecido pelos erros e pronto a brigar pela equipe junto a equipe da arbitragem. Ele parecia um pontepretano sentado no banco de reservas. Isso cativou. Produziu paixões avassaladoras nas arquibancadas.

Hélio dos Anjos pede demissão (que isso não saia da cabeça de ninguém) e um novo treinador é escolhido. Cada um tem sua caracteristica. Durante os 90 minutos contra o Criciúma vimos um Felipe Moreira participativo sim. Mas em intensidade bem menor em relação ao titular anterior.

Dentro do campo, o que se viu foi a adoção de uma marcação na zona intermediária, o povoamento do meio-campo para trancar o adversário e a exigência de marcação dos atacantes na defesa pontepretana. Existia este procedimento defensivo com Hélio dos Anjos? Existia. Mas a marcação sob pressão fazia com que, em caso de retomada da bola, a distância em direção ao gol fosse menor.

Isso, por enquanto, acabou. Sem contar que Matheus Jesus na etapa inicial atuou quase como um segundo volante e rendeu abaixo do que se esperava. Mudou e melhorou no segundo tempo.

Não serei leviano de dizer que este cenário é definitivo. Nada disso. Mas muitos torcedores, ao assistirem ao jogo de ontem imediatamente fizeram a comparação com aquilo que viram e viveram na Série A-2. E a insatisfação foi plena e imediata. Efeito colateral da comparação.

O que fazer para inverter o quadro? Vencer e produzir melhor futebol por 90 minutos, independente do novo esquema tático. O gol cura todos os males. No caso da Ponte Preta pode ser o elixir da paz. Resta saber se conseguirá buscá-lo. Vamos aguardar. 

(Elias Aredes Junior-foto de Marcos Ribolli-Pontepress)