Qual o papel da torcida do Guarani neste instante de sufoco na Série B?

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Clubes de futebol no Brasil não são apenas negócios. Ou ajuntamento de endinheirados dispostos a ganhar dinheiro. Tais instituições são, acima de tudo, um espaço para o exercício comunitário.

Pegue o exemplo do Guarani. Evidente que a história do alviverde colaborou e muito para a formação de sua torcida. Campeão Brasileiro de 1978, campeão da Taça de Prata de 1981, vencedor da Série A-2 em 2018…Em um país que valoriza a vitória, nada melhor do que convencer uma criança e um adolescente de que aquele espaço não é só acolhedor como vencedor.

Existem bugrinos que se transformaram em fanáticos torcedores graças a um pai, mãe, tio, avó, avô ou um amigo. Puro exercício do espírito comunitário. Ou seja, eu faço parte daquele grupo e quero que ele cresça cada vez mais. Ato contínuo, toda vez que essa comunidade é ameaçada de alguma forma algumas frentes devem ser estabelecidas para preservar os seus pilares.

O Guarani passa por um instante delicado de sua história. Está na zona do rebaixamento, corre risco de ir para a Série C e não se pode perder o patrimônio construído desde que o time voltou a disputar a segundona nacional, em 2017. Neste contexto, qual o papel da torcida? O que ela deve fazer?

Não é necessário aderir totalmente a um papel critico ou ser 100% alienado para ajudar o clube. Só uma expressão precisa entrar em campo: bom senso. O torcedor tem dois papéis a exercer. E um está ligado ao outro.

Nos dias de jogos, o torcedor do Guarani deve transformar o Brinco de Ouro em um espaço de celebração do que é ser bugrino.

Como se faz isso? Enchendo o estádio, convidando os amigos, pagando os ingressos para quem não tem condições financeiras e com uma métrica na mente: incentivar os 90 minutos. Sem cessar. Incessante. Esqueça as caneladas, a limitação técnica. Pense no Guarani. Imagine o que seria disputar a terceirona. Incentivar agora vale mais a pena.

A diretoria pisa na bola? Concordo! Michel Alves montou um time horroroso sob o ponto de vista técnico? Com certeza. Ricardo Moisés comete erros de gestão? Pura verdade. Mas agora o que está em jogo, torcedor, não é sua predileção por A, B e C. É a sobrevivência do Guarani na Série B.

Dito isso, naqueles 90 minutos, contra qualquer adversário, a torcida precisa incentivar, apoiar e fazer com que aqueles jogadores acreditem que eles são os melhores do mundo. Para que estes jogadores, na base da superação, consigam as vitórias e somem os pontos necessários para fugir da degola. É preciso despejar todo o seu otimismo no gramado do Brinco de Ouro. Ou fora dele.

E quando o árbitro apitar o final do jogo? A partir deste instante você tem um direito e um dever. Você tem o direito de comemorar uma vitória, lamentar um empate e vaiar caso uma derrota seja registrada. É seu direito. Você pagou o ingresso, fez a sua parte e extravasar o seu sentimento é lícito e legítimo.

O seu dever inicia-se também o apito do juiz e termina até o próximo jogo. Você tem o dever de cobrar, pressionar e pedir melhorias por parte da diretoria. Que o Conselho Deliberativo tenha uma postura propositiva e fiscalizadora. Fomentar os grupos nos aplicativos de mensagem com ideias, conceitos e planos que tirem o Guarani deste quadro. E que provocam atitude e movimentação por parte da diretoria.

isso dá resultado. No ano passado eu fui contra a demissão de Allan Aal. Mas tenho que reconhecer que a pressão da torcida encurralou a diretoria, que promoveu a troca e viabilizou a chegada de Daniel Paulista, que fez boa campanha. Efeito direto da participação direta da torcida.

O Guarani precisa de jogadores talentosos? Sim. Mas também necessita de torcedores participativos e inflamados nas arquibancadas e que tenham consciência para reivindicar por melhorias. Uma atitude não exclui a outra. Quando uma das duas posturas prevalece em demasia, o desequilibrio é registrado. Quando as duas desaparecem, o clube começa a morrer. Pense nisso.

(Elias Aredes Junior-Com foto de Thomaz Marostegan)