Uma reflexão sobre Índio, um atleta que representa o jeito de pensar o futebol no Guarani

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Muitos torcedores do Guarani não compreendem a fissura da comissão técnica pelo volante Índio. Jogador comum, limitado, sem brilho. Não existe um jogo na Série B do ano passado em que podemos apontar sua participação como fundamental. No máximo, participativo. Um coadjuvante de luxo.

Muitos torcedores o defendem. Afirmam com todas as letras que é um jogador que honra a camisa. Não merece ser criticado. Acredito que o tema deva ser analisado de modo mais profundo. Índio de certa forma é o retrato atual do Guarani.

Antes de você vociferar e ficar com dedo nervoso nas redes sociais quero que você acompanhe o meu raciocínio.

Índio é um jogador limitado. Logo, deve ganhar um salário compatível com sua capacidade. Que não deve ser um rendimento de primeira linha. Por que? Simples: é o que o Guarani pode pagar para um jogador com suas características. Acredite: se orçamento do Guarani fosse maior Índio não estaria no Brinco de Ouro. Um atleta de melhor capacidade técnica estaria com a camisa guardada no vestiário. Ou seja, o bolso empurra a diretoria para certas resoluções.

Mesmo com os recursos escassos, o Guarani poderia contar com alguém mais capacitado para a posição. Como? Categorias de base. Qualquer pessoa minimamente antenada com o assunto sabe que em duas posições é possível formar sem que o atleta tenha aptidões aguçadas em termos de técnica e habilidade: zagueiro e volante. Marcação, antecipação, passe curto, posicionamento na hora de defender são atributos que podem ser desenvolvidos desde a mais tenra. Convenhamos: Índio, aos trancos e barrancos, desenvolve tais tarefas.

Daí vem a pergunta: como que nesse período o Guarani não conseguiu revelar um único cabeça de área ou segundo volante que saiba fazer o mínimo? E se revelou porque não existe continuidade no time titular?

Melhor: e para ganhar um salário bem menor do que qualquer jogador consagrado. Você pode argumentar: existem jogadores na base com tais características. E o que fazem os dirigentes? Deixam o garoto infinitamente no banco ou entram em ocasiões específicas. Torcedores e cronistas esportivos , por sua vez, são obrigados a aturar a desculpa de que estão imaturos, não podem ser lançados, etc, etc, etc…

E ano após ano, o Guarani procura no mercado novos “Índios” para suprir as carências no elenco. Pois é. É como se um padeiro, ao invés de fazer o pão com as próprias mãos – o que sairia mais barato, obviamente- decidisse comprar do concorrente. Não sacia a fome e geralmente tem que atuar uma unidade queimada ou mal feita.

Reclamar do futebol Índio é justo. Defendê-lo é do jogo. Sua presença é apenas reflexo de uma política de futebol do Guarani que, apesar de reconhecer os parcos recursos no cofre, considera melhor ignorar o seu próprio histórico formador e apostar de que vai encontrar todas as suas soluções nas ofertas do mercado. Não vai.

(Elias Aredes Junior-Foto de Thomaz Marostegan- Guarani F.C)