Ponte Preta e uma indigesta goleada que não pode ser analisada na superfície

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É duro assimilar uma goleada. Dificil aceitar que o seu time tomou cinco gols. Humilhante. Revoltante. Inadmissivel. Para quem trilha o caminho fácil da esculhambação o mais fácil é pegar o trombone e deitar falação em cima do técnico João Brigatti. A troca de Luis Haquin por Matheus Silva, a marcação frouxa nos minutos iniciais, a ausência de um espirito mais retrancado em Barueri. 

Antes que os dedos apontem o texto para um passada de pano, um aviso: João Brigatti e os jogadores precisam encontrar uma fórmula para que isto não se repita até o final da temporada. É inadmissível perder de goleada em uma partida de quartas de final. 

Equipe que deseja um posto alto na Série B não pode sofrer cinco gols. Ponto. E o presidente Marco Antonio Eberlin, dentro das limitações orçamentárias, precisa mover mundos e fundos para viabilizar uma equipe competitiva. Sem medo de errar: contratar jogadores da Internacional de Limeira é apenas a ratificação de luta pela manutenção na divisão. Não é esse o desejo da torcida. Ela está certa? Errada? Pouco importa a resposta diante da constatação: sem as arquibancadas pulsantes, não há time que sobreviva e tenha relevância. Perder de cinco a 1 é detonar uma justa indignação nas arquibancadas. E que precisa ser respondida com ações. 

Por incrível que pareça, os cenários descritos acima se constituem na superfície. Somos fustigados a analisar jogo, resultado e atuação e esquecemos do principal: o fosso aumenta a olhos vistos.

Não é apenas questão de qualidade técnica e sim a semente responsável por deixar tudo de pé: dinheiro. A estimativa é que a receita da Ponte Preta seja de R$ 50 milhões para a temporada de 2024. O Palmeiras? Receita de R$ 880 milhões. A receita da Macaca para o Verdão representa um aumento de 1660%. Evidente que a goleada é vexatória e sem explicação mas uma pergunta salta aos olhos: como competir? Como ser relevante com tamanha disparidade? Só existem duas saídas: ou monta-se um consórcio de empresários radicados na cidade para investir pesado com vistas a estruturação em médio e longo prazo ou acelera-se a implantação da SAF.

Se continuar nesta paralisia, não tenha dúvida: o buraco vai aumentar e goleadas como as de Barueri se transformarão em rotina. Infelizmente.

(Elias Aredes Junior-com foto de Marcos Ribolli-Pontepress)